Capítulo 38 de Testemunhos para a Igreja Volume 1 – Páginas 204-209
Caros irmão e irmã A: O Senhor achou por bem, em Sua bondade, dar-me uma visão neste lugar; e entre as diversas coisas mostradas estavam algumas que lhes dizem respeito. Vi que algo não estava bem com vocês. O inimigo buscava sua destruição, esforçando-se para influenciar outros através de vocês. Vi que ambos assumiram uma exaltada posição que nunca lhes foi designada, e que se consideram muito adiante do povo de Deus. Eu os vi olhando para Battle Creek com ciúmes e suspeita. Pretendiam pôr as mãos ali e amoldar ações e comportamentos ao que consideram certo. Vocês reparam em pequenas coisas que não podem compreender e com as quais nada têm a ver, e que de modo nenhum lhes dizem respeito. Deus confiou Sua obra em Battle Creek a servos escolhidos. A responsabilidade pela obra está sobre eles. Os anjos de Deus são comissionados para supervisionar a obra e se ela não funciona do modo certo, aqueles que estão na liderança serão corrigidos e as coisas transcorrerão segundo a ordem divina, sem interferência deste ou daquele indivíduo.
Vi que Deus deseja que vocês voltem sua atenção para si mesmos. Examinem os próprios motivos. Os irmãos estão enganados com respeito a si mesmos. Têm uma aparência humilde e isso exerce influência sobre outros, levando-os a pensar que vocês estíio muito avançados na vida cristã, mas quando suas opiniões particulares são tocadas, o eu se ergue imediatamente e vocês manifestam um espírito voluntarioso, inflexível. Essa é uma segura evidência de que os irmãos não possuem a verdadeira humildade.
Vi que vocês têm noções equivocadas sobre o afligir o corpo, e se privam de alimentos nutritivos, Tal atitude leva alguns da igreja a concluir que Deus certamente está com vocês, ou não negariam a si mesmos praticando tais sacrificios. Vi, porém, que nenhuma dessas coisas os tornará mais santos. Os ímpios fazem tudo isso, mas nada recebem como recompensa. Um espírito quebrantado e contrito é de grande valor à vista de Deus. Vi que suas concepções a respeito dessas coisas eram equivocadas, e que vocês estavam examinando a igreja, observando pequenas coisas, quando sua atenção deveria ser posta sobre assuntos de interesse da própria vida. Deus não pôs a responsabilidade de Seu rebanho sobre vocês. Os irmãos supõem que a igreja está em último plano porque não vê as coisas através de sua ótica particular, e não segue a mesma conduta rígida que vocês acham ser correta. Vi que os irmãos estão enganados com relação ao próprio dever e o dever dos outros. Alguns têm ido a extremos com respeito ao regime alimentar. Assumem uma posição inflexível e a mantêm até sua saúde ser abalada; a enfermidade se instala no organismo e o templo de Deus é debilitado.
Foi-nos recordada nossa experiência em Rochester, Nova Iorque. Vi que quando vivíamos ali, não ingeríamos alimentos nutritivos como deveríamos, e a doença quase nos levou à sepultura. Vi que, como Deus dá “aos Seus amados o sono” (Sal. 127:2), estava disposto a garantir-lhes alimentos apropriados para dar forças. O motivo que nos impelia era legítimo. Foi mediante a economia de meios que o periódico pôde ser mantido. Éramos pobres. Vi que a falta, então, estava na igreja. Aqueles que possuíam meios eram cobiçosos e egoístas. Se houvessem feito sua parte, a responsabiliade que estava sobre nossos ombros teria sido aliviada, mas como alguns não assumiram o que lhes competia, ficamos sobrecarregaos e outros aliviados. Vi que Deus não requer que ninguém siga uma conduta de tão estrita economia, que chegue a ponto de enfrauecer ou prejudicar o templo de Deus. Há deveres e exigências em Sua Palavra para humilhar a igreja e induzi-los a afligir o próprio coração, e não há nenhuma necessidade de produzir cruzes e forjar deveres para afligir o corpo e gerar humildade. Tudo isso está em desacordo com a Palavra de Deus.
O tempo de angústia está precisamente diante de nós, e então premente necessidade requererá que o povo de Deus negue o próprio eu e coma meramente o suficiente para manter a vida, mas Deus nos preparará para esse tempo. Nessa terrível ocasião, nossa necessidade será a oportunidade de Deus para comunicar Seu poder fortalecedor e amparar seu povo. Mas agora Deus exige que trabalhem com as próprias mãos, naquilo que é bom, e poupem à medida que Ele os prosperar, fazendo sua parte em sustentar a causa da verdade. Esse é um dever imposto sobre todos os que não foram especialmente chamados para trabalhar em palavra e doutrina. Devem dedicar seu tempo a proclamar o caminho da vida e da salvação a outros.
Aqueles que fazem trabalho manual precisam nutrir-se de modo a se empenhar nesse tipo de serviço. Os que trabalham em palavra e doutrina devem alimentar-se convenientemente, pois Satanás e seus anjos maus estão guerreando contra eles para debilitá-los. Quando lhes for possível, devem descansar a mente e corpo por causa do estressante trabalho, e ingerir alimentos nutritivos que aumentem sua energia, pois serão obrigados a utilizar toda a força que puderem. Vi que Deus de modo algum é glorificado quando alguém de Seu povo produz um tempo de angústia para si mesmo. Há uni tempo de angústia justamente diante do povo de Deus, e Ele o preparará para esse horrendo conflito.
Vi que suas idéias sobre a carne de porco* não seriam prejudiciais se vocês as retivessem para si mesmos, mas, em seu julgamento e opinião, os irmãos têm feito dessa questão uma prova,
* Este notável testemunho foi escrito em 21 de outubro de 1858, cerca de cinco anos antes da grande visão de 1863, na qual a luz sobre a reforma de saúde foi dada. No devido tempo o assunto foi dado de maneira a persuadir todo o nosso povo. Quão maravilhosas são a sabedoria e a bondade de Deus! Pode ser tão errado insistir agora na questão do leite, sal e açúcar, quanto na questão da carne de porco em 1858. Nota da segunda edição. Tiago White.
e seus atos têm demonstrado o que vocês crêem sobre isso. Se Deus achar por bem que Seu povo se abstenha da carne de porco, Ele os convencerá a respeito. Ele está tão disposto a mostrar o dever a Seus filhos sinceros, como também a indivíduos sobre quem o Senhor não confiou as responsabilidades de Sua obra. Se for dever da igreja abster-se da carne de porco, Deus o revelará a mais do que duas ou três pessoas. Ele ensinará a Sua igreja o dever dela.
Deus está guiando Seu povo, não uns poucos e separados indivíduos aqui e acolá, um crendo de uma forma e outro diversamente. Os anjos de Deus estão fazendo a obra que lhes foi designada. O terceiro anjo está conduzindo e purificando um povo, o qual se moverá em união com ele. Alguns vão adiante dos anjos que estão dirigindo o povo, mas acabam tendo de rever cada passo e timidamente não seguir mais rápido do que os anjos dirigem. Vi que os anjos de Deus não levariam Seu povo mais depressa do que pudesse compreender e agir segundo as importantes verdades que lhe são comunicadas. Mas alguns espíritos inquietos não fazem mais do que a metade de seu trabalho. À medida que o anjo os conduz, anseiam por algo novo e apressam-se sem a divina guia, causando assim confusão e discórdia nas fileiras. Eles não falam nem agem em harmonia com a igreja. Vi que vocês têm que adotar, sem demora, uma atitude em que estejam dispostos a ser conduzidos em vez de pretenderem guiar, ou Satanás se aproveitará e os guiará a seu modo, segundo seu conselho. Alguns olham para as idéias fixas dos irmãos e as consideram prova de humildade. Eles estão enganados. Vocês estão fazendo uma obra da qual haverão de arrepender-se.
Irmão A, você é naturalmente mesquinho e cobiçoso. Você dizima o endro e o cominho, mas negligencia aquilo que é de maior valor. Quando o jovem rico veio a Jesus e perguntou o que deveria fazer para herdar a vida eterna, Cristo lhe disse para guardar os .idamentos. Ele declarou que havia feito isso. Jesus disse: “Falta-te uma coisa: vai, e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, c terás um tesouro no Céu.” Mar. 10:21. Aconteceu que ele se retirou triste porque era dono de muitos bens. Vi que você mantém idéias equivocadas. Deus exige que Seu povo faça economia, mas alguns têm levado esse dever a extremos. Gostaria que o irmão pudesse ver a situação como de fato ela é. O verdadeiro espírito de sacrificio, que é aceitável a Deus, você não possui. Olha para os outros e os observa com atenção; se eles não seguem a mesma rígida conduta que você, o irmão nada faz por eles. Vocês estão definhando sob a nociva influência dos próprios erros. São fanáticos e acham que estão sendo dirigidos pelo Espírito de Deus. Enganam-se! Os irmãos não podem tolerar um testemunho claro e incisivo. Gostariam, na verdade, de receber um testemunho de aprovação, mas quando alguém lhes reprova os erros, quão depressa o eu se insurge. Vocês não são humildes e necessitam fazer uma obra por si mesmos. ... Tais atitudes, tal espírito, vi, eram fruto de seus erros e o resultado de pôr os próprios juízos e opiniões como regra para os outros e contra aqueles a quem Deus chamou. Os irmãos ultrapassaram os limites.
Vi que vocês pensavam que este ou aquele foram chamados a trabalhar no campo, quando, na verdade, nada conheciam do assunto. Vocês não podem ler o coração. Se houvessem bebido a largos goles da verdade da mensagem do terceiro anjo, não se sentiriam tão à vontade para dizer quem foi ou não chamado por Deus. O fato de alguém poder orar e falar bem, não é nenhuma evidência de que Deus o chamou. Cada um têm sua influência, e que essa fale em favor de Deus; mas a questão de dever este ou aquele dedicar seu tempo ao trabalho pelas pessoas é de profunda importância, e ninguém senão Deus pode decidir quem se alistará nessa solene missão. Havia homens bons nos tempos apostólicos, homens que podiam orar com poder e falar com autoridade; todavia, os apóstolos, que haviam recebido poder sobre os espíritos imundos e podiam curar enfermidades, não ousaram, fundados na própria sabedoria, designar alguém para o santo trabalho de ser porta-voz de Deus. Eles esperavam inequívocas evidências da manifestação do Espírito Santo. Vi que Deus incumbiu Seus escolhidos pastores do dever de decidir quem está apto para o santo trabalho; e em união com a igreja e sob as claras indicações do Espírito Santo, indicarem quem é ou não habilitado. Vi que se fosse deixado que uns poucos indivíduos, aqui e acolá, decidissem quem estaria capacitado para essa grande obra, haveria confusão e perturbação.
Deus tem repetidamente mostrado que não devem ser animados a ir para o campo como pastores, homens que não dêem inequívocas provas de haverem sido chamados por Deus. O Senhor não confia o cuidado de Seu rebanho a indivíduos não habilitados. Os que Deus chama, devem ser homens de profunda experiência, experimentados e provados, homens de um são discernimento, homens que ousem reprovar o pecado num espírito de mansidão, e que compreendam a maneira de alimentar o rebanho. Deus conhece os corações e sabe a quem escolher. O irmão e a irmã A podem dar seu parecer sobre esse assunto e estarem completamente errados. Seu julgamento é imperfeito e pode não acrescentar nada ao assunto. Vi que vocês estavam se afastando da igreja, e se continuarem assim, Deus permitirá que prossigam e enfrentem as conseqüências de seguir o próprio caminho.
Agora Deus os convida a se corrigirem, a pesar os motivos e andar em harmonia com Seu povo.
If Seventh-day Adventists practiced what they profess to believe, if they were sincere health reformers, they would indeed be a spectacle to the world, to angels, and to men. And they would show a far greater zeal for the salvation of those who are ignorant of the truth.
Greater reforms should be seen among the people who claim to be looking for the soon appearing of Christ. Health reform is to do among our people a work which it has not yet done. There are those who ought to be awake to the danger of meat eating, who are still eating the flesh of animals, thus endangering the physical, mental, and spiritual health. Many who are now only half converted on the question of meat eating will go from God's people, to walk no more with them.
In all our work we must obey the laws which God has given, that the physical and spiritual energies may work in harmony. Men may have a form of godliness, they may even preach the gospel, and yet be unpurified and unsanctified. Ministers should be strictly temperate in their eating and drinking, lest they make crooked paths for their feet, turning the lame--those weak in the faith -- out of the way. If while proclaiming the most solemn and important message God has ever given, men war against the truth by indulging wrong habits of eating and drinking, they take all the force from the message they bear.
Those who indulge in meat eating, tea drinking, and gluttony are sowing seeds for a harvest of pain and death. The unhealthful food placed in the stomach strengthens the appetites that war against the soul, developing the lower propensities. A diet of flesh meat tends to develop animalism. A development of animalism lessens spirituality, rendering the mind incapable of understanding truth.
The Word of God plainly warns us that unless we abstain from fleshly lusts, the physical nature will be brought into conflict with the spiritual nature. Lustful eating wars against health and peace. Thus a warfare is instituted between the higher and the lower attributes of the man. The lower propensities, strong and active, oppress the soul. The highest interests of the being are imperiled by the indulgence of appetites unsanctioned by Heaven.
Great care should be taken to form right habits of eating and drinking. The food eaten should be that which will make the best blood. The delicate organs of digestion should be respected. God requires us, by being temperate in all things, to act our part, toward keeping ourselves in health. He cannot enlighten the mind of a man who makes a cesspool of his stomach. He does not hear the prayers of those who are walking in the light of the sparks of their own kindling.
Common Errors in Diet
Intemperance is seen in the quantity as well as in the quality of food eaten. The Lord has instructed me that as a general rule we place too much food in the stomach. Many make themselves uncomfortable by overeating, and sickness is often the result. The Lord did not bring this punishment on them. They brought it on themselves, and God desires them to realize that pain is the result of transgression.
Daily abused, the digestive organs cannot do their work well. A poor quality of blood is made, and thus, through improper eating, the whole machinery is crippled. Give the stomach less to do. It will recover if proper care is shown in regard to the quality and quantity of food eaten.
Many eat too rapidly. Others eat at one meal varieties of food that do not agree. If men and women would only remember how greatly they afflict the soul when they afflict the stomach, and how deeply Christ is dishonored when the stomach is abused, they would deny the appetite, and thus give the stomach opportunity to recover its healthy action. While sitting at the table, we may do medical missionary work by eating and drinking to the glory of God.
To eat on the Sabbath the same amount of food eaten on a working day, is entirely out of place. The Sabbath is the day set apart for the worship of God, and on it we are to be specially careful in regard to our diet. A clogged stomach means a clogged brain. Too often so large an amount of food is eaten on the Sabbath that the mind is rendered dull and stupid, incapable of appreciating spiritual things. The habits of eating have much to do with the many dull religious exercises of the Sabbath. The diet for the Sabbath should be selected with reference to the duties of the day on which the purest, holiest service is to be offered to God.
Eating has much to do with religion. The spiritual experience is greatly affected by the way in which the stomach is treated. Eating and drinking in accordance with the laws of health promote virtuous actions. But if the stomach is abused by habits that have no foundation in nature, Satan takes advantage of the wrong that has been done, and uses the stomach as an enemy of righteousness, creating a disturbance which affects the entire being. Sacred things are not appreciated. Spiritual zeal diminishes. Peace of mind is lost. There is dissension, strife, and discord. Impatient words are spoken, and unkind deeds are done; dishonest practices are followed, and anger is manifested,--and all because the nerves of the brain are disturbed by the abuse heaped on the stomach.
What a pity it is that often, when the greatest self-denial should be exercised, the stomach is crowded with a mass of unhealthful food, which lies there to decompose. The affliction of the stomach afflicts the brain. The imprudent eater does not realize that he is disqualifying himself for giving wise counsel, disqualifying himself for laying plans for the best advancement of the work of God. But this is so. He cannot discern spiritual things, and in council meetings when he should say Yea, he says Nay. He makes propositions that are wide of the mark, because the food he has eaten has benumbed his brain power.
Relation of Health Principles to Spirituality
The failure to follow sound principles has marred the history of God's people. There has been a continual backsliding in health reform, and as a result God is dishonored by a great lack of spirituality. Barriers have been erected which would never have been seen had God's people walked in the light.
Shall we who have had such great opportunities allow the people of the world to go in advance of us in health reform? Shall we cheapen our minds and abuse our talents by wrong eating? Shall we transgress God's holy law by following selfish practices? Shall our inconsistency become a byword? Shall we live such unchristianlike lives that the Saviour will be ashamed to call us brethren?
Shall we not rather do that medical missionary work which is the gospel in practice, living in such a way that the peace of God can rule in our hearts? Shall we not remove every stumblingblock from the feet of unbelievers, ever remembering what is due to a profession of Christianity? Far better give up the name of Christian than make a profession and at the same time indulge appetites which strengthen unholy passions.
God calls upon every church member to dedicate his life unreservedly to the Lord's service. He calls for decided reformation. All creation is groaning under the curse. God's people should place themselves where they will grow in grace, being sanctified, body, soul, and spirit, by the truth. When they break away from all health-destroying indulgences, they will have a clearer perception of what constitutes true godliness. A wonderful change will be seen in the religious experience.
The apostle plainly states that those who reach a high standard of righteousness must be temperate in all things. The Lord sends this message to his people: "Know ye not that they which run in a race run all, but one receiveth the prize? So run, that ye may obtain. And every man that striveth for the mastery is temperate in all things. Now they do it to obtain a corruptible crown; but we an incorruptible. I therefore so run, not as uncertainly: so fight I, not as one that beateth the air: but I keep under my body, and bring it into subjection: lest that by any means, when I have preached to others, I myself should be a castaway."
"It is high time to awake out of sleep: for now is our salvation nearer than when we believed. The night is far spent, the day is at hand: let us therefore cast off the works of darkness, and let us put on the armor of light. Let us walk honestly, as in the day; not in rioting and drunkenness, not in chambering and wantonness, not in strife and envying, But put ye on the Lord Jesus Christ, and make not provision for the flesh, to fulfill the lusts thereof."
“A santificação não é a obra de um momento, uma hora ou um dia. É um crescimento ininterrupto na graça. Em um dia, não sabemos quão forte será nosso conflito no dia seguinte. Satanás vive e está ativo, e cada dia precisamos clamar fervorosamente a Deus pedindo ajuda e força para lhe resistir. Satanás reina e, por isso, tenho o eu a subjugar, ataques de Satanás a vencer, e não existe lugar de descanso. Não existe ponto a que possamos chegar e dizer que atingimos a perfeição” (Comentários de Ellen G. White, SDA Bible Commentary, v. 7, p. 947).
"A verdade deve estar plantada no coração. Deve dirigir o espírito e regular as afeições. Todo o caráter deve ser estampado com a expressão divina. Cada jota e cada til da Palavra de Deus deve ser introduzido na vida diária. "Aquele que se torna participante da natureza divina estará em harmonia com o grande padrão de justiça de Deus, Sua santa lei. Esta é a norma pela qual Deus mede as ações do homem. E esta será também a pedra de toque do caráter no juízo. "Muitos há que dizem que na morte de Cristo a lei foi revogada, mas nisto contradizem as próprias palavras de Cristo: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas. ... Até que o céu e a Terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei." Mat. 5:17 e 18. Foi para expiar a transgressão da lei pelo homem que Cristo depôs Sua vida. Pudesse a lei ser mudada ou posta de lado, Cristo não precisaria ter morrido. Por Sua vida na Terra, honrou a lei de Deus. Por Sua morte, estabeleceu-a. Deu Sua vida como sacrifício, não para destruir a lei de Deus, não para criar uma norma inferior, mas para que a justiça fosse mantida, para que fosse vista a imutabilidade da lei e permanecesse para sempre. "Satanás declarara que era impossível ao homem obedecer aos mandamentos de Deus; e é verdade que por nossa própria força não lhes podemos obedecer. Cristo, porém, veio na forma humana, e por Sua perfeita obediência provou que a humanidade e a divindade combinadas podem obedecer a todos os preceitos de Deus. "Mas a todos quantos O receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no Seu nome." João 1:12. Este poder não está no instrumento humano. É o poder de Deus. Quando uma alma recebe a Cristo, recebe também o poder de viver a vida de Cristo." (Parábolas de Jesus, 314)
"A germinação da semente representa o início da vida espiritual, e o desenvolvimento da planta é uma bela figura do crescimento cristão. Como ocorre na Natureza, assim é na graça; não pode haver vida sem crescimento. A planta precisa crescer ou morrer. Como seu crescimento é silencioso e imperceptível, mas constante, assim é o desenvolvimento da vida cristã. Nossa vida pode ser perfeita em cada fase de desenvolvimento; contudo haverá progresso contínuo, se o propósito de Deus se cumprir em nós. A santificação é obra de toda uma vida. Multiplicando-se as oportunidades, ampliar-se-á nossa experiência e crescerá nosso conhecimento. Tornar-nos-emos fortes para assumir as responsabilidades, e nossa maturidade será proporcional aos nossos privilégios." (Parábolas de Jesus, 66)
"Cristo é nosso modelo, o perfeito e santo exemplo que nos é dado seguir. Não podemos nunca igualar o modelo, mas podemos imitá-lo e nos assemelharmos a ele segundo nossa capacidade. ... Quando entregarmos tudo o que temos e somos a Deus, e formos colocados em posições probantes e perigosas, entrando em contato com Satanás, devemos recordar que teremos a vitória ao enfrentar o inimigo em nome e pelo poder do Vencedor. Todos os anjos seriam comissionados a vir em nosso resgate, se dessa maneira dependêssemos de Cristo, em lugar de permitir-se que fôssemos vencidos. Mas não precisamos esperar obter a vitória sem sofrimento, pois Jesus sofreu ao vencer por nós." (Cristo Triunfante, MM, 16/julho)
Historicamente os Adventistas do Sétimo Dia têm se identificado como a “igreja remanescente” (1).Tal conceito, embora com alguma freqüência mal compreendido mesmo por um bom número de adventistas, não defende que sejamos de qualquer forma melhores do que outras pessoas em diferentes confissões cristãs.A noção de “remanescente” não sugere ainda uma visão reducionista da salvação – que a salvação se limita à pessoas dentro da comunhão da Igreja Adventista do Sétimo Dia (2). Ao ver-nos como o “remanescente bíblico”, não somos motivados por qualquer arrogância espiritual, complexo de superioridade ou triunfalismo, embora potencialmenteestes perigos estejam presentes (3).
O remanescente, da perspectiva bíblica, é constituído de herdeiros espirituais do conhecimento das verdades divinas e da responsabilidade missionária que tal conhecimento impõe.No Velho Testamento, o remanescente é consistentemente identificado como relativamente uma minoria que sobrevive a apostasias e calamidades (2 Cron. 30:6; Isa. 10:20-22; Eze. 6:8, 9;9:14; 14:22; Jer. 42:2), permanecendo leal a Deus e aceitando as responsabilidades do concerto (2 Reis 19:30-31; Isa. 66:18-19).O remanescente é também descrito como “povo escolhido”, contudo é fundamental lembrar que tal escolha nunca é baseada em qualquer virtude, mérito, santidade corporativa (é significante observar que, remanescente corporativo, em todas as épocas, é definido mais pela luz que possui do que pela santidade dos seus membros), superioridade moral ou espiritual do escolhido, mas na liberdade e graça dAquele que escolhe (Deut. 7:6-8). Tal eleição deve ser entendida em termos de um chamado para um papel definido dentro da história da salvação, que certamente envolveprivilégios, mas sobretudo, envolve a responsabilidade de um propósito.
Embora nem sempre percebido, os adventistas têm reconhecido várias Igrejas que emergiram da reforma protestante do século 16, como um remanescente histórico, divinamente comissionadas para restaurar o evangelho, por mais de mil anos sepultado sob a escura e volumosa heresia medieval. Deploravelmente, contudo, “um a um destes grupos tornou-se satisfeito com o seu conceito parcial de verdade” (4).Falharam em avançar na medida em que a luz da Palavra de Deus continuou brilhando. Cada recusa levou Deus a suscitar outros instrumentos para proclamarem Suas verdades. Com a chegada do “tempodo fim”, indicado pela profecia bíblica, quando a última mensagem divina deve ser proclamada ao mundo (Apocalipse 14:6-11) – Deus suscitou o “remanescente” final, como designado em Apocalipse 12:17 – que ergue na linhagem sucessória dos representantes divinos através dos séculos, com a específica missão de pregar o “evangelho eterno”, para testemunho de todas as gentes. Assim, ao se considerarem o “remanescente” no contextodo fim, os adventistas apenas querem dizer que eles foram suscitados para uma tarefa específica, que prepara o mundo para o evento dos séculos: o grande advento de Jesus.
Quão Diferentes?
Ao se considerar o remanescente bíblico escatológico,testemunhando do “evangelho eterno”,
os adventistas reivindicam que eles são diferentes de todos os outros grupos religiosos. Quão diferentes, ou o que os tornam diferentes?Do ponto de vista estatístico as diferenças não são grandes. Embora os Adventistas do Sétimo Dia não subscrevam um credo formal, eles desenvolveram suas Crenças Fundamentais, as quais marcam a compreensão adventista dos ensinos bíblicos essenciais.
Evidentemente que nem todos os cristãos concordam uns com os outros emcada aspecto religioso ou teológico. Encontramos dentro do Cristianismo, doutrinas nas quais não há unanimidade entre os vários grupos, ou outras nas quais a unidade é apenas parcial. É precisamente tal divergência que explicaaexistênciaediversidadedasmuitasdenominações.Umaleituracuidadosadagrade doutrinária adventista revela que o seu conteúdo pode ser classificado em três categorias distintas: grupos A, B e C. No grupo A, que corresponde a aproximadamente59% destas crenças, os adventistas concordam 100% com os grupos evangélicos ortodoxos. Nesta categoria estão incluídas doutrinas tais como: As Santas Escrituras; a Trindade; Deu o Pai; Jesus Cristo, o Filho; o Espírito Santo; a Criação; a Salvação; a Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, etc.
A análise das crenças fundamentais dos Adventistas demonstra ainda que, naquilo que podemos considerar como grupo B, e que corresponde a aproximadamente 32%, estamos de acordo com um ou mais grupos evangélicos, enquanto que, com este ou estes, discordamos de outros. Nesta área encontramos doutrinas tais como o Batismo (embora por exemplo, concordemos nisto com os Batistas, discordamos dos Presbiterianos). O Sábado (os adventistas não são os únicos a observarem o sábado, sétimo dia da semana, como dia de repouso, embora para os adventistas a compreensão desta doutrina tenha nuances teológicas exclusivas); os dez mandamentos (embora discordando quanto ao quarto mandamento, um bom número dos grupos evangélicos afirma a validade da lei); A Mortalidade da Alma (condicionalismo) e a punição dos ímpios (5), etc. Assim, nestas duas categorias maiores, A e B, que somam um total de 91% de suas Crenças Fundamentais, os Adventistas estão de acordo com vários, ou pelo menos com um dos grupos cristãos contemporâneos. Mais importante, contudo, é que em todos estes casos, os adventistas estão solidamente fundamentados no ensino bíblico!
Nossa observação das Crenças Fundamentais Adventistas, entretanto, revela uma terceira área, a que chamamos de grupo ou categoria C, e que corresponde a aproximadamente 9% de sua totalidade (6). Aqui encontramos as marcas distintas dos adventistas como povo remanescente: O santuário celestial, onde Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote realiza a última fase de seu ministério em favor da humanidade (7), o Espírito de Profecia, manifesto no ministério profético de Ellen White (8) e as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 (9).
Quão diferentes? A decisiva diferença entre os adventistas e as outras confissões cristãs, é que somos o povo da profecia, chamados para ocupar um exclusivo papel nos eventos finais da história terrena. Chegamos à compreensão desta verdade porque ela está firmemente ancorada na segurança profética. Deus tem muitos fiéis em outras denominações, muitos dos quais chegam quase a envergonhar a devoção dividida e mornidão de milhares de adventistas nominais, mas a nenhum outro movimento foi dada tão clara compreensão do tempo do fim e suas implicações para aqueles que estão vivendo neste ponto da história.
Dito de outra forma, os adventistas reivindicam serem distintos de todos os outros grupos cristãos em três aspectos específicos:Primeiro: eles se vêem como o único povo ao redor do globo que encontram suas raízes proféticas em Daniel 7, 8, e Apocalipse 10. Daniel 7 e 8 indicam o tempo quando o remanescente final surgiria (depois) do domínio da “ponta pequena”, por 1.260 dias proféticos.Em Apocalipse 10, os adventistas encontram o movimento milerita e seus desdobramentos posteriores amplamente prefigurados. Segundo: os Adventistas se vêem como o único povo que encontra sua mensageira profética em Apocalipse 12 e 19:10. Muitas igrejas reivindicam terem em seu meio uma voz profética, mas apenas os Adventistas do Sétimo Dia dirigem-se às Escrituras para validarem a presença profética entre eles. Terceiro: os Adventistas do Sétimo Dia são o único grupo cristão a descobrirem em Apocalipse capítulo 14, a sua mensagem profética. Não éportanto de surpreender que desde o seu início os adventistas nunca se viram como uma outra denominação. Ao contrário, eles entenderam o seu movimento e mensagem como o cumprimento da profecia (10).
Por mais de cento e cinquenta anos, esta percepção de sua identidade e papel profético, tem motivado, compelido e impelido os adventistas ao redor do globo, resultando em um dos mais difundidos esforços de alcance missionário na história do cristianismo (11). A cada quarenta e oito segundos, afirmam as estatísticas, um novo membro se une à igreja; a cada cinco horas, uma nova igreja é organizada. De origens humildes, quase insignificantes, os Adventistas do Sétimo Dia se espalharam em mais de 85% dos países do globo, reconhecidos pelas Nações Unidas, com uma extraordinária rede de igrejas, instituições educacionais, médicas e humanitárias, comparativamente inigualável.
Porém, mais que estatísticas os números têm nomes. Eles representam pessoas, homens e mulheres de todas as idades, raças, contextos e geografias, que levam a sério a ordem da marcha de Jesus Cristo em São Mateus 28:18-20 “Ide e pregai o evangelho a todas as nações, tribos, língua e povos...” A visão adventistas contudo, apropria-se da grande comissão intensificada pelo brado profético de Apocalipse 14:6-7, e colocada dentro do contexto do fim: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua e povo, dizendo com grande voz: temei a Deus, e dai-lhe glória, porque é chegada a hora do seu juízo. E adorai Aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas.”A clara consciência profética de sua missão, integrada às suas doutrinas, inseridas na moldura das três mensagens angélicas, tem suprido os adventistas com um senso de urgência, propósito e poder de sacrifício que os distingue de todos os outros grupos cristãos.
O Desafio de Vozes Independentes
À proporção em que a história avança na sua fase final, nenhum Adventista do Sétimo Dia deveria ter ilusão quanto a natureza do conflito que aguarda a Igreja. Apocalipse 12 desperta-nos para a realidade de um inimigo – “o dragão vermelho... a antiga serpente, que se chama diabo e satanás, que engana a todo o mundo...” (Apoc. 12:3, 9), enfurecido e em guerra contra o remanescente (v. 17); a fúria do dragão, deve-se notar, tem também dimensão escatológica; ela é intensificada pelo conhecimento de que “resta-lhe pouco tempo” (v. 12). O tempo do fim, portanto, acrescenta nuances específicas à natureza do conflito, na qual a igreja encontra-se envolvida.
Em dois livros perceptivos recentemente publicados, The Fragmenting of Adventism,(12) da pena de William G. Johnsson, editor do Adventist Review, e The Fat Lady and Kingdom,(13) por George R. Knight, professor de história da Igreja, no Seminário Teológico da Andrews University, os autores se ocupam em uma análise dos elementos que hoje ameaçam a igreja, gerando conflitos e tensões que desafiam sua identidade e missão. Tais forças desagregadoras são de natureza diferente e algumas delas podem apresentar variações de impacto de lugar para lugar, contudo, o elemento comum entre todas estas ameaças, é o caráter primariamente interno delas.Se perseguição externa pode ser considerada o plano “A” do diabo através da história, é o plano “B” do inimigo – conflitos e problemas internos – que tem sido mais efetivo e devastador em sua fúria contra a Igreja.
Não seria necessária muita imaginação para se concluir com Johnsson e Knight que, pela primeira vez em sua história, o adventismo depara-se com a ameaça de uma fragmentação em vários corpos independentes. Congregacionalismo – sistema de governo eclesiástico marcado por confusão intrínseca e sérias fraquezas administrativas e missiológicas, a sorte que se abateu virtualmente sobre todos os outros grupos protestantes em geral e todas as demais ramificações do milerismo em particular – agora, surge entre nós a última fortaleza da resistência. A Igreja Adventista que até aqui, de forma extraordinária tem existido como uma comunhão de fé universal e confissão doutrinária, unida em missão, estilo de vida, solidariedade, estrutura e esperança, depara-se com o desafio do divisionismo, com ênfase na independência absoluta da expressão local da Igreja.
A exclusiva unidade da Igreja tem sido percebida pelos adventistas como crucial para o seu senso básico de identidade como o remanescente bíblico para o tempo do fim e para o cumprimento de sua missão global. Crendo terem sido divinamente chamados como um povo para uma missão universal, a Igreja Adventista tem se vistocomo o “movimento do destino”, cuja tarefa é levar o evangelho eterno a cada nação, tribo, língua e povo, na face da terra. Fragmentação, portanto, facilmente pode ser vista como algo frontalmente contrário, tanto à preservação desta entidade, como à realização do seu chamado e vocação.A Igreja Adventista dificilmente poderia ser submetida a qualquer forma de desmembramento, sem que as partes tragicamente perdessem sua força impelente. Fragmentação da estrutura adventista significaria uma desfiguração tão séria das características vitais para sua missão em escala global, que colocaria a Igreja além da possibilidade de reconhecimento.
Entretanto, para desmaio de líderes da Igreja e seus membros, esta é precisamente uma das sérias ameaças enfrentadas. Grandemente influenciadas pelo individualismo que absorveu a cultura moderna, as décadas recentes deram origem a um considerável número de movimentos dissidentes. Vozes autônomas, algumas das quais se têm auto-identificado como “ministérios independentes”, vêm proclamando sua versão pessoal da fé adventista, insistindo na fragmentação e anunciando uma “nova ordem”, que deve substituir a estrutura estabelecida. Tal noção, contudo, é no mínimo problemática tanto na dimensão prática, como no nível teológico.
Reforma ou Independência?
Provavelmente a maioria, senão a totalidade dos Adventistas do Sétimo Dia, concordaria que a Igreja Remanescente – ao mesmo tempo e ironicamente também identificada como Laodicéia, a Igreja Morna – convive hoje com uma urgente necessidade de reavivamento e reforma. Tal percepção, contudo, não é descoberta recente.Ellen White, em seus dias concluiu que, “um reavivamento da verdadeira piedade entre nós é a maior e mais urgente de todas as nossas necessidades. E buscá-la deveria ser o nosso primeiro esforço” (14). Na mesma página, ela observa ainda que, “Não há nada que Satanás mais tema do que o povo de Deus prepare o caminho e remova os obstáculos para que o Senhor derrame Seu Espírito sobre a Igreja...Se estivéssemos em seu poder, ele (satanás) impediria qualquer despertamento, grande ou pequeno, até o fim dos tempos”. Quase no mesmo contexto, contudo, Ellen White define a origem de tal reforma: “Reavivamento e reforma devem acontecer sob o ministério do Espírito Santo”. (15).
A busca de reavivamento e reforma, portanto, é prioridade consistente com o melhor da tradição adventista. Os dissidentes, entretanto, parecem mais interessados em sua agenda de “reformas” sem referência séria à “verdadeira piedade” (o objeto da reforma) ou ao reavivamento, sob o ministério do Espírito (o fundamento e método dela). “Reavivamento da verdadeira piedade”, não apenas deve preceder qualquer tentativa de reforma, mas é precisamente aquilo que garante a autenticidade desta. Sem “reavivamento”, realidade que tem dimensão primariamente pessoal, as tentativas de reforma freqüentemente se degeneram em atos de depredação e anarquia. Por causa da natureza humana caída, facilmente buscamos iniciar “reformas” começando fora de nós, com os outros. E naturalmente, “confessar” os pecados alheios é sempre mais fácil e conveniente. Tal mentalidade, contudo, deixa de perceber tanto a necessidade individual da reforma, como a hipocrisia da atitude de expor as faltas dos outros. Difícil, mas precisamente por onde devemos começar, é reconhecer nossa própria necessidade e iniciar a reforma interiormente.
Uma dificuldade adicional com os “reformadores”, é que eles fazem uma confusão elementar entre reforma e independência. No fundo, portanto, o que buscam não é a verdadeira reforma, mas independência da autoridade da Igreja organizada, um substituto precário para aquilo que realmente necessitamos. De maneira superficial, os “reformadores” imaginam que todos os males desaparecerão simplesmente por mudarmos a “presente ordem das coisas”. Esta foi precisamente a ilusão marxista, adotada pelo comunismo na luta contra o vilão capitalista. Resultado? O registro da história está aberto para a comprovação. Os “opressos revolucionários”, depois que subverteram o sistema e destronaram aqueles que eles julgavam os “dragões” a serem aniquilados, tornam-se invariavelmente os novos opressores, repetindo os mesmos erros que eles eram tão prontos a condenar nos outros. Tal mentalidade está em manifesta oposição à ótica de Jesus Cristo, queconsistentemente identificou a raiz dos problemas e dasdistorções humanas, conectando-as com sua causa profunda: o coração inconverso! É daí que procede a longa lista de males denunciados por Ele em Mateus 15:19.Assim o Senhor expôs a futilidade dos tratamentos superficiais e das soluções cosméticas.
Mudanças no sistema são muitas vezes necessárias, e não deveríamos fechar os olhos para elas. São precisamente tais mudanças que, por vezes, criam a possibilidade de conversão para aqueles que se acomodaram às práticas que colocam em dúvida a sinceridade do nosso testemunho corporativo. Mas erramos ao absolutizar ou radicalizar tal necessidade de “reforma”, como se o sistema fosse a única ou a primeira coisa a ser reformada. Os defensores da “independência”, alegando as distorções estruturais, deveriam ouvir com atenção as sérias palavras de advertência de Ellen White:
“Se o mundo observar uma perfeita harmonia na igreja de Deus, esta será uma poderosa evidência em favor do cristianismo. Dimensões, diferenças infelizes e rusgas, desonram o nosso Redentor. Tudo isso poderia ser evitado se o eu se submetesse a Deus e os seguidores de Cristo obedecessem à voz da Igreja.A descrença sugere que a independência individual aumenta a nossa importância, e que é fraqueza submeter nossas próprias idéias e direitos ao adequado veredicto da Igreja; mas deixar-se dominar por tais sentimentos e pontos de vista é inseguro e trará anarquia e confusão...Que o julgamento individual submeta-se à autoridade da igreja.“(16).
Expressões tais como, “obediência à voz da Igreja”,“submissão à autoridade da Igreja”,“independência individual”como resultado da descrença, “submissão [de sentimentos e pontos de vistas] ao veredicto da Igreja”, podem parecer ofensivas àqueles que escolheram o caminho da dissidência, contudo, integridade espiritual e intelectual exige que, se alguém diz crer no Espírito de Profecia, e utiliza os seus textos quando estes parecem convenientes aos seus propósitos, reconheça também a autenticidade e autoridade de outras informações, quando estas não concorrem com suas idéias “reformadoras” ou claramente as contradizem.
”O Redentor do mundo não sanciona experimentos e exercícios em questões religiosas independentes de Sua Igreja organizada e reconhecida”(17).Estabelecer questões religiosas de maneira independente da Igreja de Deus organizada, não é algo sancionado por Cristo, e abre o caminho para o escândalo, a descrença de outros e anarquia. Estas não são questões leves, inocentes ou inconseqüentes. As palavras de Ellen White neste texto são de clareza inconfundível, e se colocam além da possibilidade de dúvida razoável. Vale repetir: “O Redentor do mundo não sanciona,em questões religiosas, experimentos e exercíciosindependentes da Sua Igreja organizada”.
Integridade cristã exige darmos atenção a textos tais como: “Eu sei que o Senhor ama a Sua Igreja. Ela não deve ser desorganizada ou fragmentada em átomos independentes [congregacionalismo?]. Não há a mínima consistência nisto; não há a mínima evidência de que isto deva acontecer! (18).Ainda em Mensagens Seletas, ela adverte,“Não podemos nos afastar agora um só passo do fundamento que Deus estabeleceu. Não podemos agora entrar em qualquer nova organização; pois isto significa apostasia da verdade”. (1). E ainda: “Deus tem uma Igreja sobre a terra, a qual é o Seu povo escolhido. Ele não está liderando grupos separatistas. Ele não está liderando um aqui e outro lá, mas um povo”. (20).
Em resposta a tais conselhos inspirados, alguns pregoeiros da separação e do congregacionalismo sugerem que as citações positivas de Ellen White acerca da Igreja organizada, não se aplica mais, devido a sua condição atual. Contudo, tal linha de raciocínio não encontra qualquer endosso nos escritos inspirados. Ao contrário, Ellen White afirma convicção positiva inquebrantável quanto ao futuro da Igreja:
“Fui instruída a dizer aos Adventistas de todo o mundo, [que] Deus chamou-nos como um povo para ser-Lhe um tesouro peculiar. Ele tem indicado que Sua igreja na terra deverá permanecer perfeitamente unida no Espírito e no conselho do Senhor dos exércitos até o fim do tempo.”(21).
Ellen White observa ainda que, “Nenhum conselho ou sanção é dado na Palavra de Deus, de que aqueles que crêem na mensagem do terceiro anjo sejam levados a suportar que eles podem se separar. Isto vós podeis concluir para sempre. São as mentes divisivas e não santificadas que encorajam um estado de desunião... Não deve haver qualquer separação neste grande tempo de prova.”(22).
Evidentemente que não cabe a ninguém pronunciar julgamento sobre os motivos e razões daqueles que assumiram papel de “reformadores” da Igreja, atacando impiedosamente seus males, quer reais ou imaginários. Tal julgamento pertence a Deus, que sabe o que está dentro de cada um (João 2:25). Por outro lado, é dever deles próprios, em boa consciência, examinar o que realmente os impele e anima. Seria, entretanto, uma grosseira ilusão, tanto dos reformadores como da audiência deles, julgarem que o espírito ou intenções dissidentes sejam invenções da última década do século vinte. Ellen Whiteescreveu há mais de cem anos:
“O espírito de separar-se dos co-obreiros, o espírito de desorganização, está no próprio ar que respiramos. Para alguns, todos os esforços para se estabelecer a ordem, são considerados perigosos – uma restrição à liberdade pessoal e portanto deve ser temido como o novo papado. Eles declaram que nunca tomarão em consideração aquilo que qualquer homem diga, e que eles não são responsáveis perante os homens. Fui instruída de que é o especial esforço de satanás guiar homens a sentirem que Deus se agrada que eles escolham o seu próprio curso, independente do conselho dos irmãos...Oh, como satanás se regozijaria se ele tivesse sucesso em seus esforços de introduzir-se entre o povo [de Deus] e desorganizasse a obra, em um tempo quando a organização é essencial, e será o maior poder para manter fora as inssurreições espúrias e refutar as reivindicações não aprovadas pela Palavra de Deus. Nós desejamos manter as linhas harmoniosamente, de tal forma que não haja desorganização do sistema de organização e ordem que foi edificado por sábios e cuidadosos esforços. Nenhuma licença deve ser dada aos representantes da desordem, que desejam controlar a obra neste tempo. Alguns desejam promover o pensamento de que ao nos aproximarmos do fim, cada filho de Deus deverá agir independentemente de qualquer organização religiosa.Mas fui instruída pelo Senhor de que neste trabalho não há tal coisa como cada um agindo de maneira independente . Para que a obra do Senhor avance solidamente, Seu povo deve avançar unido”.(23)
A voz profética aos Adventistas adverte com absoluta firmeza que o resultado da independência será a confusão e o caos. “Não é bom quando alguns homens recusam-se a se unirem aos irmãos e preferem agir sozinhos. Em lugar de se isolarem, que eles se unam em harmonia com os seus co-obreiros. A menos que eles façam isto, suas atividades trabalharão no tempo errado e de maneira errada. Eles estarão servindo em oposição àquilo que Deus tem feito, [e] assim seus esforços serão mais para o mal do que simplesmente serem desperdiçados.” (24).
Responder a tão claras afirmações com alegação de que “tentamos trabalhar com a igreja, mas a apostasia dela torna impossível pregar a verdade dentro de sua estrutura”, pode parecer argumento sincero, mas realmente não passa de um mero álibi, envenenado por uma atitude de enorme justiça própria. Tal desculpa reflete, na melhor das hipóteses, a suspeita de uma irrealidade, e na pior delas, uma escusa superficial para rebelião aos conselhos inspirados. Como afirmado na citação do parágrafo anterior, o que está em jogo aqui não é o mero desperdício de esforços, mas um extraordinário potencial para a destruição. E isto deveria ser motivo de séria reflexão para aqueles que se aventuraram pelo caminho da dissidência!
A Metodologia da Dissidência
Qualquer um, mesmo com conhecimento superficial da história adventista, identifica de imediato a falta de originalidade do método dos dissidentes atuais. O panfletismo, a propaganda negra, o terrorismo verbal, continuam sendo o maior trunfo. Deploravelmente tais ataques são dirigidos para a audiência mais vulnerável: àqueles cuja credulidade é excedida apenas pela incapacidade de discernir. A tentativa não é levar o evangelho aos que estão fora do círculo de Cristo. O esforço não é expandir o reino de Deus, em cumprimento da grande comissão evangélica. O que consome as energias e se converte na obsessão dos reformadores equivocados, é“pescar dentro do aquário”. Envenenaroutros – irmãos fracos – na própria igreja, com a divulgação de um “evangelho” ao reverso, constituído de “más novas”, das faltas e escândalos – novamente, imaginários, exagerados ou reais – de pastores, líderes e instituições. O alvo deste “Friendly fire”,(25) como facilmente se pode constatar,são os próprios irmãos, aqueles que mais facilmente podem ser levados a se escandalizar e passar a ver com suspeita a Igreja e os seus líderes.
Se o método não é novo, também não é novo o espírito de empreitada. Os precedentes históricos tem raízes de larga abrangência. Em tempos imemoriais, eles incluem os belicosos amalequitas, a ofensiva tribo que, embora contra-parentes dos Israelitas, no caminho de Canaã, colocou-se na retaguarda, quando Israel “ia cansado e afadigado” (Deut. 25:17 e 18), e impiedosamente causou trágicas baixas entre os mais indefesos e fracos. Em tempos mais recentes, há aproximadamente quarenta anos, Francis D. Nichol, então editor da Review, publicou uma série de artigos expondo os vários grupos independentes da época, buscando seguidores entre irmãos Adventistas. As acusações feitas pelos dissidentes de então, o método e a estratégia, em nada difere daquilo que estamos presenciando hoje nos jornais, panfletos, revistas, circulares, livros e tapes dos “amalequitas” modernos. Os nomes mudaram, mas de resto, pouco mais mudou.
O que mudou ainda, e isto é o que precisamos, torna os dissidentes atuais mais “eficientes” e multiplica a influência deles, são os recursos da tecnologia à disposição. Qualquer pessoa hoje com um computador, e para os mais sofisticados, com algum conhecimento de Internet e web-site, facilmente encontra os canais de divulgação do seu “ministério” de crítica e acusação. Eles sentem que sua missão não é ajudar o mundo perdido em necessidade do evangelho eterno, ao contrário, os auto-falantes estão voltados para dentro. Os holofotes e lentes de aumento estão focalizados na Igreja e suas faltas. Hiper-críticos e julgadores, os “reformadores” sentem que sua tarefa é buscar repreender de forma cáustica as faltas – como eles as vêem e entendem – dos líderes adventistas e seus ministros.
William Johnsson corretamente observa que, “se não houvesse a Igreja Adventista do Sétimo Dia, estes [acusadores] não poderiam existir...Eles se valem da obra edificada por tantos anos de trabalho e lágrima. O termo é duro”, continua o redator da Adventist Review, “mas adequado, assim, deixe-me dizê-lo em amor:eles são parasitas da Igreja; sobrevivendo às custas daqueles que por uma razão ou outra, foram persuadidos por suas publicações... Eles sempre se apresentam em uma luz favorável, como leais, fundamentalistas, adventistas históricos. Alguns usam o título de “pastor” embora não tenham qualquer credencial reconhecida pela Igreja.Alguns ocultam que nem mesmo membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia eles são...”(26).É provável que nem todos estes detalhes se ajustem aos diferentes dissidentes, mas eles oferecem um perfil de estratégia comum.
Tudo isto é muito trágico!É deplorável que, num tempo quando mais que nunca o corpo de Cristo deveria estar unido, o grande inimigo, o inspirador e origem de toda dissensão, consegue fazer-nos diluir e malbaratar atenção e energia em questões que apenas desviam-nos para os seus atalhos, bifurcações e becos sem saída. É deplorável que o manto de Cristo seja assim rasgado, como resultado muitas vezes de teorias infundadas, ou outras vezes, de ressentimentos, amarguras pessoais, transportados para o nível institucional.É trágico que o precário argumento ad hominense torne a arma comum, dirigindo o ataque ao caráter do oponente, sem ouvir a seus argumentos, razões ou defesa; ou que, de outra forma, apela às emoções, preconceitos e interesses particulares daqueles que os ouvem.E assim, o que se busca é apenas “ganhar o caso”, sem qualquer respeito a princípios ou à ética cristã.
A mentalidade “anti-líder”, tão comum em nossa cultura, ameaça invadir a Igreja. Tal disposição, que desafia e rejeita a autoridade, deleita-se em apontar as falhas dos líderes, a ponto de os cansar e levá-los ao desânimo, com o negativismo e a “mentalidade de morcego”, que apenas vê o mundo de cabeça para baixo. A falha destes “analistas” é não perceberem que a atitude de apontar problemas e criticar falhas, está muito longe de ser sinônimo de sugerir soluções. Soluções inteligentes, criativas, e sobretudo, que reflitam o Espírito de Cristo.
O individualismo é o fermento cultural dos tempos. Individualismo obsessivo gera o pluralismo, que por sua vez conduz ao relativismo. Combinados, tal espírito torna a sociedade e a igreja quase ingovernáveis, e transforma a tarefa dos líderes virtualmente impossível. Vivemos nos dias da cultura centralizada no eu. Como indica William Johnsson:“Meus prazeres, aquilo que eu gosto, aquilo que eu não gosto, minha gratificação pessoal, governa o tempo em que vivemos. Esqueça-se acerca do futuro... Esqueça-se que vai pagar depois, esqueça-se acerca das regras, esqueça-se acerca de Deus.‘Não ouse atravessar no meu caminho’.Se me parece bem, é isto que eu quero e agora, e é isto que eu vou conseguir”. (27).
Tal mentalidade, entretanto, corre em direta linha de colisão com aquilo que Deus deseja realizar de belo e novo através da Igreja. Enquanto Deus buscar preparar um corpo universal, com uma missão universal, a idéia dos separatistas é fragmentar a Igreja, dividi-la em átomos isolados sem qualquer elemento unificador.“Cada um por si”,vivendo e morrendo em si mesmos, recebendo e utilizando os recursos dentro dos seus próprios limites individuais, como células cancerosas que se independem do sistema para o seu colapso e morte.
Aqueles que se alimentam dos escândalos explorados pelos dissidentes, devem aprender duas lições fundamentais. Primeiro, apenas porque alguém resolveu fazer relatos de “corrupção”, “imoralidade” ou artigos do gênero, isto não significa que tais “notícias” sejam verdade.Aqui ainda devemos lembrar que, mesmo que tais informações sejam verídicas, estas distorções não representam a Igreja Adventista ou o ministério adventista. Devemos ainda ter em mente que, o ânimo cristão não deve deixar-se apagar por causa dos maus exemplos de alguns, não importa quem sejam eles. Os cristãos não seguem a outros cristãos, mas a Cristo! Segundo, os que recebem o bombardeio da propaganda dissidente, devem estar conscientes de que aqueles que se regozijam com falhas dos outros, de alguma forma se esqueceram da instrução bíblica, “o amor não se alegra com a injustiça...”(I Cor. 13:6), ou “O amor cobre uma multidão de pecados” (I Pedro 4:8).
É fácil levantar o dedo acusador, espalhar as falhas alheias, frabricando-as ou exagerando-as maliciosamente, muitas vezes sob a pretensão de “defesa da verdade”. Difícilé construir, é erguer as pessoas, mas é precisamente isto que Deus espera dos filhos do Reino. Quando a graça de Cristo irrompe no coração, ela transforma a esfera dos relacionamentos humanos, ela torna-nos mais humanos, misericordiosos e pacificadores.Cristo não deixou aberto para os Seus discípulos o caminho do revanchismo e da retaliação. Seu exemplo fechou para tal avenida, indicando-nos que os cristãos alcançam reformas profundas quando eles agem como “luz e sal”. A justiça deles não é vista em termos de escrupulosidade semelhante à dos escribas e fariseus. Os males da Igreja e na vida dos seus ministros, já são em si mesmo escabrosos o suficiente e não necessitam de maior divulgação, e de fato, expô-los pode parecer, às vezes, “politicamente correto”,mas dificilmente é algo de natureza cristã. Com extraordinário insight, Ellen White aconselha que “[Os males encontrados na Igreja] são mais para serem deplorados do que acusados” (28). Noutro contexto ela afirma, “Desviai os vossos olhos daquilo que é escuro e desencorajador, e contemplai a Jesus o nosso grande líder”. (29).
Os que se escandalizam com as falhas de líderes, estão sugerindo que eles nunca leram a Bíblia. O testemunho bíblico não deixa qualquer dúvida de que o povo de Deus e seus líderes, tanto no Velho Testamento como no Novo Testamento, constantemente falharam em viver os ideais divinos para eles. O refrão sobre reis de Israel, representantes diretos de Deus, que“fizeram o que era mal aos olhos do Senhor”, se repete com constância na narrativa bíblica. Os escritos de Ellen White têm muito a dizer sobre a corrupção na sede da Igreja de Battle Creek. O jogo do poder exercido por pequenos grupos de homens que abusaram de suas posições, e buscavam controlar a Igreja. Injustiças cometidas pela Review and Herald Publishing Association contra seus obreiro e escritores.Além disto, muitos daqueles irmãos conviveram com os mesmos pecados que vemos hoje na Igreja.Aqueles que tenham qualquer dúvida quanto a existência de pecados entre o povo de Deus, leiam cuidadosamente a primeira carta de Paulo aos Coríntios. Leia-se o próprio registro dos “heróis da fé”, em Hebreus 11, e sem dúvida concluiremos que o único herói da Igreja é Jesus Cristo, que apela, aceita e transforma a vida dos faltosos, sem se desanimar deles e sem publicar a lista dos seus pecados!
Robert Spangler, um dos mais dignos e respeitados representantes do ministério adventista, por muitos anos editor do Ministry, em um livro publicado depois de sua recente morte num trágico acidente automobilístico, numa das freeways de Los Angeles, com extraordinário candor descreve seus próprios sentimentos no início do seu ministério. Suas palavras, que constituem o testemunho de um pastor e outros pastores, são permeadas por uma aura de indizível tristeza. Diz Spangler: “Ao permitir-nos transitar através do vale do vinagre, a doçura daquilo que Cristo está realizando por meio de Sua igreja, passa despercebido. A mente vê aquilo em que foi treinada a permanecer. Malícia, ceticismo e cinismo são males difíceis de serem vencidos”.Spangler então fala de sua experiência pessoal, do espírito de crítica desenvolvido e alimentado em seus primeiros anos de trabalho.“Com tristeza, eu confesso, que no início do meu ministério alimentei-me das faltas dos líderes da Igreja.Lembro-me de uma carta hostil que escrevi ao meu amigo F.D. Nichol.Sua doce resposta desarmou-me completamente. Aquilo que eu tentava demonstrar não estava completamente errado, mas errados estavam o meu espírito e atitude. Na medida em que os anos se passaram, encontrei-me alimentando-me mais e mais dos problemas da Igreja. Não os criticava publicamente, mas em meu coração descobria um afastamento dos meus irmãos, que me deixava vazio. Meu relacionamento com Jesus Cristo tornou-se extremamente frágil. As devoções pessoais eram freqüentemente interrompidas por irritações sobre algo que eu sabia estar acontecendo na Igreja. O dia chegou quando concluí que minha alma estavaem perigo. Eu estava construindo barreiras entre meu próprio coração, os outros obreiros e o meu Deus. Gradualmente, através da ajuda do Senhor, aprendi a buscar o bem e o melhor. Ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas agradeço a Deus pela direção na qual Ele tem estado a guiar-me”. (30).
Inquestionavelmente, a Igreja tem problemas, e líderes cometem faltas que necessitam ser conhecidas e resolvidas. Consultadas quanto ao uso incorreto de dízimos e ofertas, por líderes da Igreja, Ellen White sugeriu três princípios básicos para se tratar com esta e outras distorções:“Façais a vossa queixa de maneira clara e aberta, no espírito correto, e às pessoas certas”, e então ela acrescenta,“... mas não vos afasteis da obra de Deus, provando-vos infiéis, por que outros não estão agindo corretamente”. (31). Portanto, se por um lado, o fórum para a discussão de problemas na vida da Igreja não é o recurso das circulares, jornais e das “marretas” anônimas (anonimato é sempre um instrumento de covardia, dos que se omitem ao preço de suas convicções).A solução destes males não é encontrada na semeadura do cinismo, da crítica e da incredulidade. Tal atitude violenta a experiência espiritual daqueles que devotam seu talento a este propósito. Devemos nos lembrar ainda das outras vítimas. Profundas impressões são feitas na mente daqueles que ouvem e lêem tais relatórios. Questões são suscitadas e dúvidas fortalecidas. E, afinal, quem responderá por aqueles que foram desencorajados e ficaram pelo caminho? Pelos que foram desviados por aqueles irresponsáveis no uso da influência? Quem poderá erradicar o veneno que foi injetado neles?
Ellen White não teve qualquer ilusão quanto a humanidade e natureza caída daqueles que formam a Igreja. Em sua fase militante, o Corpo de Cristo, em sua peregrinação, é freqüentemente maculado pela poeira da caminhada. Entretanto, o otimismo da voz profética e inabalável. “Embora existam males na Igreja, e eles estarão conosco até o fim dos tempos, a igreja nestes últimos dias deve ser a luz do mundo, poluído e desmoralizado pelo pecado. A Igreja, fraca e defeituosa, em necessidade de reprovação, advertência e conselho, é o único objeto sobre a terra, ao qual Cristo concede Sua suprema atenção”. (31).
Sem Provisão Teológica
Um último aspecto deve ainda ser abordado em nossa discussão. Para fechar o círculo deste artigo, retornamos à questão inicial do remanescente. Aqueles melhor orientados teologicamente, podem argumentar que a história revela que, foi precisamente o fracasso dos que foram originalmente chamados, que provocou a necessidade do remanescente.A Israel foram feitas, sob condições, promessas de que ele permaneceria como povo escolhido.Ao fracassar, Deus suscitou a igreja cristã. Quando esta tornou-se corrompida em doutrinas e práticas, Deus levantou os reformadores para se separarem e formarem o corpo protestante. Então, estes também falharam em avançar na luz que lhes foi concedida, e o Senhor suscitou o movimento adventista com uma missão especial para o fim da história. O modelo é consistente: até aqui os fiéis saíram do remanescente apostando para constituíremum novoremanescente. Quer isto dizer que este ciclo de chamado, apostasia e novo chamado, continua aberto indefinidamente?
É precisamente aqui que o cenário do fim impõe uma nova dinâmica.Obviamente este ciclo deve ser quebrado em algum ponto, do contrário, por causa da natureza humana, ele correria constantemente, sem qualquer resolução final.Note que o fracasso de Israel ou da própria Igreja não tomou Deus de surpresa.A antecipação divina já fizera provisão para a tragédia da apostasia, tanto de Israel, da Igreja cristã, como da própria reforma protestante. Contudo, não existe qualquer provisão profética para um novo remanescente, em substituição ao movimento adventista.Isto é evidente no Apocalipse, quanto ao remanescente final (Apocalipse, capítulos 3 e 12). Sete Igrejas, e não mais, simbolizam a trajetória da Igreja através da era cristã. Laodicéia, a Igreja morna, o povo do juízo, com todos os seus defeitos e fraquezas, fecha o círculo. Qualquer outra conclusão é estar em descompasso com o tambor da revelação.
Então não tratará Deus com os problemas da Igreja, se não há provisão profética para um remanescente do remanescente? Paraembaraço dos dissidentes, Deus introduz aqui uma nova estratégia. O Senhor claramente delineou como Ele há de administrar a crise final da Igreja, mas sua agenda, devemos entender, não inclui a probabilidade de um novo movimento separando-se da Sua Igreja. No passado, como visto, o chamado foi para que os fiéis se separassem do corpo apostatado. Mas esse processo, repetimos para efeito de ênfase, não pode continuar indefinidamente. Nas cenas finais da história, ao contrário das reformas tradicionais, são os infiéis, não os fiéis, que deixarão a Igreja. A sacudidura tomará o lugar do clássico “chamado para sair”. Estes dois métodos de separação devem ser claramente diferenciados e entendidos.
“Haverá uma sacudidura [peneiramento]. A palha deve, no tempo certo, ser separada do trigo. Porque a iniqüidade aumenta, o amor de muitos se esfria. Este é precisamente o tempo quando o gemido deverá ser mais forte. Haverá uma separação de nós por parte daqueles que não apreciaram a luz nem caminharam nela”. (32).
Qual o resultado final deste “peneiramento”?A palha, representando os infiéis e insinceros que presentemente são encontrados na Igreja, será separada do trigo, símbolo dos cristãos genuínos. O grupo classificado como “morno”(Apocalipse 3:15 e 16), para constrangimento da Igreja, presente hoje em Laodicéia, há então de desaparecer para sempre, quer identificando-se como o “quente”, ou assumindo o grupo dos “frios”. A polarização é inevitável, e não poderia ser diferente! Como um ato de Sabotagem, Satanás traz o joio para dentro da Igreja(S. Mateus 13: 24-30, 36-43). “Enquanto o Senhor traz para a igreja aqueles que são verdadeiramente conversos, Satanás, ao mesmo tempo, traz pessoas que não são convertidas para a sua [da Igreja] comunhão” (33). Contudo, como Ellen White indica, este estado de coisas há de sofrer uma alteração radical: “A sacudidura deve em breve acontecer para purificar a Igreja”. (34).
Quem são os que deixarão a Igreja sob a ação da sacudidura, identificados de forma geral sob as figuras do “joio”,“palha”,e“mornos”?Ellen White, em seus vários escritos sugere uma ampla identificação:“Os auto-enganados”(Testemonies Vol. 4, págs. 8, 90; Vol. 5, págs. 211, 212); “Os descuidados e indiferentes”, (Idem, Vol. 1, págs. 182); “Os ambiciosos e egoístas” (Early Writings, pág. 269); “Os que se recusam sacrificar” (Idem, pág. 50); “Os orientados pelo mudanismo” (Testemonies, Vol. I, pág. 288); “Os que transigem e comprometem a verdade” (Idem, Vol. 5pág. 81); “Os desobedientes” (Idem, Vol. I, pág. 187); “Os invejosos e críticos” (Idem, pág. 251); os que acusam e condenam” (The Upwar Look,pág. 122); “A classe conservadora superficial” (Testemonies, Vol. 5 , pág. 463); “Os que não controlam o apetite” (Idem, Vol. 4, pág. 31, 232); “Aqueles que promovem a desunião” (Review and Herald, 18 de junho de 1901); “Os estudantes superficiais da Bíblia” (Testemonies to Ministers, pág. 112); “Aqueles que perderam a fé no dom profético” (Selected Messages, livro 3, pág. 84).Aqui, dois fatos são evidentes: primeiro, a ampla variedade deste catálogo, e segundo, que todas as categorias estão hoje representadas na Igreja.
Ellen White estabelece uma clara convergência entre estes dois aspectos, observando que, “Na medida em que a tempestade se aproxima, uma numerosa classe que tem professado fé na mensagem Angélica, mas que nunca foi santificada através da obediência à verdade, abandonará sua posição e se ajuntará às fileiras da oposição”. (35). Novamente a ênfase é colocada no fato de que são os infiéis que abandonarão a Igreja. “Logo o povo de Deus será testado por severas provações e uma grande proporção daqueles que agora parecem ser genuínos e verdadeiros, provar-se-á metal inútil.Em lugar de serem fortalecidos e confirmados pela oposição, ameaças e abusos, eles, covardemente tomarão o lado dos oponentes... Permanecer em defesa da verdade e da justiça – quando a maioria nos há de abandonar – para lutar as batalhas do Senhor, quando os campões serão poucos – este será o nosso teste.Neste tempo devemos tirar calor da frieza de outros, coragem da covardia deles, e lealdade de sua traição”. (36).
A purificação da Igreja virá no tempo indicado, mas não através das reformas e reformulações inventadas e promulgadas pelos dissidentes. A Igreja será purificada afinal, mas o movimento será precisamente o inverso daquilo que aconteceu ao longo dos desdobramentos da história: sairão os insinceros, enquanto os fiéis permanecerão na comunhão da Igreja. E exatamente por isto, não há provisão divina para um novo remanescente. Aqueles que hoje buscam pureza eclesiástica através da crítica e da acusação, e finalmente se afastam do corpo remanescente de Cristo, cometem um colossal erro de cálculo!
Enquanto aguardamos a resolução final da história e a purificação da Igreja, devemos lembrar-nos de que “Deus não deu a nenhum dos Seus servos a obra de punir aqueles que não dão ouvidos às Suas advertências e reprovações. Quando o Espírito Santo habita no coração, Ele guiará o agente humano a ver os seus próprios defeitos de caráter, a ter piedade das fraquezas dos outros, a perdoar como ele deseja ser perdoado. Ele será misericordioso, cortês e semelhante a Cristo”. (37).
Palavra Final
O caráternão é construído nas crises, apenas revelado por elas. Os frutos continuam sendo o grande teste da natureza da árvore, e certamente, se o Senhor não pode mudar-nos o caráter, dificilmente Ele poderá mudar o nosso destino final. A cada dia, nossa submissão ou rebelião à voz do Espírito está definindo as formas de nossa construção eterna. Ninguém precisa ser enganado pelas aparências. “Quando homens se levantam clamando ter uma mensagem de Deus, mas em vez de lutarem contra as principalidades e poderes das trevas deste mundo, eles formam uma barricada e voltam as armas da luta contra a igreja militante, tenhais medo deles. Eles não são portadores das credenciais divinas. Deus não deu a eles qualquer missão”. (38).
Falhará a igreja? Independente de como os críticos e analistas do negativismo percebem a condição do remanescente de Deus, o Senhor está no controle.Fracasso de nossa parte em crer neste fato, nos levará ao desencorajamento ou ao sentimento de que necessitamos “fazer justiça” com as nossas mãos. Mas estas são tentações que devem ser resistidas. “A Igreja pode parecer quase a cair, mas ela não cairá. Ela permanece, enquanto os pecadores em Sião serão peneirados – a palha será separada do precioso grão. Este é um terrível processo, contudo ele deve acontecer”. (39).
O remanescente de Deus não fracassará, mesmo quando as aparênciassugeremoutraconclu-
são. Podemos afirmar tal convicção porque ela está ancorada em quatro fatos fundamentais. Primeiro, porque Cristo é a cabeça da Igreja. Isso evidentemente, não nos coloca individualmente, além da possibilidade do fracasso. Segundo, porque não há qualquer provisão profética para um remanescente. Tal certeza, entretanto, não deveria levar-nos a qualquer orgulho denominacional, acomodação ou falsa segurança na prática do pecado; ao contrário, ela deve conduzir-nos à crescente submissão ao Senhor da Igreja. Terceiro, as vitórias da Igreja através das crises de sua história – crises e pressões que em sua violência e poder de ataque pareceram insuperáveis, dão-nos segurança de que as crises do futuro serão administradas pela eficiência dAquele que não pode falhar. Finalmente, o quadro profético do Apocalipse quanto a Igreja dos últimos dias, é esboçado em termos positivos de vitória (Apoc. 14:1-5, 7:9, 10, 13-17). Não há nada incerto ou duvidoso quanto ao triunfo final da Igreja, ao enfrentar o mar tormentoso dos últimos eventos.
Segundo a tradição ligada ao Titanic – o navio considerado insubmersível pelo seu capitão, E.J.Smith, mas que fatalmente desceu para o seu mergulho sem retorno às águas gélidas do Atlântico Norte, na madrugada de 15 de abril de 1912 – no domingo seguinte à tragédia, na cidade de Southampton, de onde o navio havia saído alguns dias antes, e onde viviam muitas das vítimas, membros da tripulação, um pregador americano, convidado para uma série evangelística, pregou um poderoso sermão sob o título:“O navio que não pode afundar”.O sermão, evidentemente, não era uma referência ao Titanic, mas a uma outra embarcação, 1900 anos antes, também seriamente ameaçada pelas águas, cruzando o mar da Galiléia (Mat. 8:23-27). O único navio que não pode afundar, concluiu o pregador com extraordinário senso de propriedade, é aquele em que Cristo está presente. Esta é a única segurança da Igreja ao enfrentar procela do mar aberto, nos instantes finais de sua jornada. Nossa garantia não se encontra na habilidade ou na perfeição dos homens, na suficiência ou fortaleza da “embarcação”, mas na presença e autoridade dAquele a quem os “ventos e o mar obedecem” (v. 27).
Notas e referências
(1)Mesmo antes que a denominação adotasse o nome “Adventista do Sétimo Dia”, em 1860, pioneiros adventistas, já viam o movimento como o “povo remanescente”, prefigurado em Joel 2:28-32. A primeira referência aos adventistas como “remanescente”, aparece num folheto intitulado “To the Little Remanant Scatteres Abroad, publicado em 1846, e republicado em 1847 como parte do panfleto “A Word to the Little Flock”. Na Review and Herald, de 28 de fevereiro de 1856, Uriah Smith responde a alguém que escreve perguntando por que os adventistas se auto-reconheciam como “remanescente”. Posteriormente, James White faz uma defesa da propriedade do uso do conceito aplicado aos adventistas (Review and Herald,8 de janeiro de 1857), apelando para a entidade profética do remanescente nos últimos dias. Veja também C. Mervyn Maxweel, “The Remmant in DAS Thought” em, Adventists Affirn, Vol. 2, Nº 2, outono 1988, págs. 13-20. Em 1980 a Igreja incluiu, pela primeira vez em suas Crenças Fundamentais, uma declaração sobre o seu conceito do remanescente. Veja, Seventh-day Adventists Believe... (Haferstown, MD: Review and Herald PublishingAssociation, 1988, págs. 161-168.
(2)Em 1911, quatro anos antes de sua morte, Ellen White mais uma vez relembrou aos adventistas que a “maioria” do povo de Deus ainda se encontra naquilo que a Bíblia chama de “Babilônia” espiritual (The great Controversy, pág. 390). Eles não apenas estão espalhados através das Igrejas, mas encontram-se “espalhados”, também através de todas as nações”. (Patriarchs and Prophets, pág. 447).
(3)Deve-se lembrar que o “remanescente” é um conceito bíblico, portanto divino, não humano. Além disto, quando corretamente entendido, tal noção deveria promover primariamente a humildade, face a extraordinária responsabilidade que ele envolve. Deploravelmente, em tempos recentes, na tentativa de evadir ao perigo do triunfalismo, alguns têm se refugiado no extremo oposto, afastando-se da designação e do remanescente. Para estes, a idéia promove o orgulho espiritual. Eles têm sugerido ainda, que o termo é uma relíquia anacrônica de um estágio perfeccionista e confrontativo da história adventista. Veja por exemplo, Steve Daily, Adventism for a New Generation (Portland: Better Living Publishers, 19920; praticamente todo o livro de Daily está imerso nesta mentalidade “progressista”, que convoca a Igreja a afastar-se da “teologia do remanescente” e avançar para um espírito inclusivo de afirmação religiosa (pág. 314). Não é de admirar que tal defesa tenha gerado, em alguns setores, perda de nossa identidade distintiva e do papel especial marcado por Deus para o seu povo, nos eventos finais da história (veja Gerhard F. Hasel, “The Remmant in Scripture and the End Time”, em Adventists Affirm, Vol. 2 nº 2, pág. 5.
(4)Don F. Neufled, editor, Seventh-day Adventists Enciclopédia (Washington, D.D. Review and Herald Publishing Association, 1976), pág, 1200.
(5)A noção bíblica do homem como “alma vivente”, tem sido defendida em tempos recentes por váriosexegetas protestantes. Veja Claus Westermann, Creation (Philadelphia: Fortress Press, 1974), págs. 75-77; também o clássico estudo de Hans Walter Wolff, Antropologia do Velho Testamento (São Paulo, Edições Loyola, 1965, págs. 87-98). Por outro lado, a tradicional doutrina da alma em conexão com o ensino do inferno eterno, tem nas últimas décadas passado por séria revisão entre vários representantes do protestantismo tradicional. Para uma boa introdução ao tema e bibliografia, veja Samuele Bachiochi, Imortality or Resurrection? (Berrien Springs, Biblical Perspectives, 1998). O livro Universalism andthe Doctrine of Hell, Ed. N.M.S. Cameron (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), que oferece um relatório da Fourth Edinburgh Conference on Christian Dogmatics, inclui um capítulo por John Weham, intitulado “The Case for Conditional Immortality”, apresentando um excelente sumário do debate entre os evangélicos sobre o inferno. Clark Pinnock, o conhecido teólogo evangelístico, que escreve a introdução do livro de Bachiochi, escreveu também o volume Four Views of Hell (Grand Rapids: Zondervan, 1992). Depois de sólida argumentação contrária à noção do inferno, Pinnoch conclui, “Embora hajam muitas boas razões para se questionar a tradicional idéia quanto a natureza do inferno, a razão mais importante é o fato de que a Bíblia não ensina tal noção. Contrário ao alto clamor dos tradicionalistas, isto [o ensino do inferno] não é uma doutrina bíblica” (idem, págs. 145, 146). Veja também, do reconhecido evangélico John R.W. Stott Essentials (London: Hoddeer & Stoughton, 1988) págs. 306-326. Para um objetivo sumário do debate evangélico quanto ao inferno, veja o artigo “Annihilation or endeless torment”, de Brian P. Phillips, em Ministry (August, 1996), págs. 15-18. Curiosamente, mesmo o Catolicismo Romano, tradicional defensor das chamas eternas, em recente pronuncaimento do papa João Paulo, afirma que “o inferno não é um lugar físico”. The Toronto Sun, “Tuesday, July, 1999.
(6)O termo “aproximadamente”,utilizado nos percentuais de minha análise de grade doutrinária adventista, representa a flexibilidade de quem não deseja dogmatizar em exatidão matemática, permitindo assim, espaço para pequenas variações. Um outro aspecto a ser relembrado, é que os 9% da categoria C, que atribuem identidade peculiar aos adventistas, dão cores especiais e praticamente todos os outros ensinos adventistas.
(7)Os Adventistas do Sétimo Dia são praticamente os cristãos únicos a encontrarem em Daniel 7, 8 e Apocalipse 14: 6, 7as evidências bíblicas para um julgamento que precede o segundo advento de Cristo. Ao denominar tal julgamento de “pré-advento”, denotamos o tempo em que ele ocorre, e por “investigativo”, indicamos o seu Método. Em contexto polêmico, a partir dos anos 80, eruditos adventistas, tanto da Andrew University, como do Biblical Research Institute, têm produzido em enorme quantidade, material tratando com o santuário, respondendo às objeções tradicionais e colocando tal doutrina em sólida base bíblica (veja os volumes 1 a 6 de Daniel & Revelation Committee Series, publicado pelo Biblical Research Institute). Em Êxodo 25:9, 40, 26:30, Moisés é ordenado a construir um santuário de acordo com o “modelo”(tabnith/Mishpat) que lhe fora dado. Em Hebreus 8:5, o autor explica que os sacerdotes levíticos serviram de “cópia” (hypodeigma) e “sombra” (skia) das coisas celestiais, de acordo com o “modelo” (typos) que fora mostrado no monte a Moisés.Hebreus 9:9 refere-se ao serviço do tabernáculo terrestre como uma parábola (parabole) do presente ministério de Cristo como sumo-sacerdote celestial.O santuário terrestre – com seus serviços, cerimoniais e símbolos – não era senão uma pálida sombra, um recurso didático temporário, apontando para o genuíno e real. A própria estrutura física do tabernáculo terrestre com suas três dimensões fundamentais e rituais associados a cada uma delas, apontava para as três fases da obra redentora de Cristo:1) O altar do sacrifício > a cruz; 2) o lugar santo > a intercessão e 3) o lugar santíssimo > o julgamento. Veja de Roy Adams, The Santuary, Understanding, the heart of Adventist Theology (Hagerstown, MD, Review and Herald Publishing Association, 1993). Em função da massiva ignorância quanto ao ensino bíblico do santuário, cristãos e líderes religiosos em geral, tendem a limitar o plano da redenção à primeira divisão do santuário, ao pátio externo, que representava o sacrifício de Cristo. Contudo, tão importante e fundamental quanto sejam a cruz e o calvário, estes não esgotam ou limitam a obra de Cristo em favor da humanidade. O livro de Hebreus olha a partir do calvário e afirma o sacerdócio de Cristo no santuário celestial (vejaHebreus 8: 1 e 2, 9:24).
a.Daniel 7,8 por outro lado, situam a cena do julgamento/purificação, numa seqüência cronológica de inesgotávelclareza. Tal julgamento/purificação, acontece depois do domínio da ponta pequena (que emerge do quarto império e duraria 1260 anos, de 538 AD – 1798) e antes do segundo advento de Cristo para o estabelecimento do reino que será entregue aos santos do altíssimo. Tal cenário cronológico e seqüência histórica traçado por Daniel 7, 8, 9, em conexão com Apocalipse 12 e 13, são um poderoso golpe que desacredita os estratagemas e ginásticas interpretativas da escola preterista, em sua tentativa da fazer do Antíoco Epifânio – o relativamente inexpressivo antigo rei da dinastia seleucida (uma das divisões do terceiro império, a Grécia) – a formidável “ponta pequena” de Daniel, e portanto algo que toma lugar no segundo século A .C. Veja Norman Gulley, Christ is Coming!(hageerstown, MD, Review and Herald Publishing Association, 1998), pág. 415. Interpretes bíblicos quase universalmente crêem que Antioco representa a “a abominação da desolação” mencionada em Daniel8:11-13; 9:27; 11:31 e 12:11,contudo, o que eles deixam de notar é que Jesusreferiu-se à “abominação da desolação”,como algo ainda no futuro (Mat. 24:15). Além disto, a tentativa de interpretar o período profético de “1260 tardes e manhãs” como dias literais (portanto aproximadamente 6 anos), ou, dias sacrificais (portanto, 1.150 dias literais) reduz a profecia a um nível completamente irracional, sem qualquer significado. Um dos mais recentes estudos tratando com o “princípio dia-ano” entre os adventistas foi escrito por William H.Shea, em Selected Studies on Prophetic Interpretation (Silver Spring, MD: Daniel and revelation Committee), Vol. 1, pág. 56-96; para um sumário, veja o apedix B, “The Year-Day Principle” em Frank B. Holbrook, The Antoning Priesthood of Jesus Christ (Berrien Springs. MI: Adventist Theological Society Publications, 1996) págs.219-229.
(8)Cada descrição dos dons espirituais que acompanharia a igreja até o fim, inclui o dom de profecia. Efésios 4:8-16, claramente indica que “Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos...até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do filho de Deus... “Isto significa que são as Escrituras que garantem a manifestação do dom profético na Igreja, portanto nossa aceitação do moderno fenômeno de um profeta contemporâneo emerge de nossa aceitação das escrituras. “Necessitamos de um outro profeta, quando temos a Bíblia?” – alguns têm perguntado.
a.Embora esta seja uma questão válida, mais importante que sabermos se precisamos de um profeta, é sabermos se Deus enviou-nos um! Em outras palavras, é Deus, não nós, quem decide quando a igreja necessita de um mensageiro Seu.
b.Uma das lições mais evidentes na história do movimento adventista é que não fosse pelo unificador ministério profético de Ellen White, esta Igreja já teria se desintegrado há muito tempo. Por outro lado, não há forma de se explicar o fenômeno Ellen White – seus penetrantes insights, as posições queinúmeras vezes adotou situações de crise, contrárias a toda lógica, sabedoria humana e mesmo inclinações pessoais, seus conceitos, que transcendem tempo e espaço, a coerência e extraordinário equilíbrio do vasto acervo das obras escritas, tocando praticamente cada tema de interesse cristão – desvinculado de um claro conceito de revelação divina. Oposição ao papel e mensagem de Ellen White – oposição antiga ou recente, dificilmente deveria nos surpreender. Esta tem sido a sorte dos profetas através da história. A validade da voz profética da Sra. White tem sido questionada de diversas formas e por muitos oponentes. Para uma resposta a tais críticos, veja de Francis D. Nichol, Ellen White and ther Critics (Takoma Park, Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1951; veja a obra recente de Juan Carlos Vieira, The Voice of The Spirit (Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 1998). Pode-se aplicar à Sra. Ellen White, com qualquer intensidade ou rigor, todos os testes bíblicos para avaliar um profeta, e sua obra permanece intacta. Na bigorna do espírito de profecia tem-se fragmentadas inúmeras marretas da incredulidade, e seu testemunho permanece como apelo àqueles que querem crer!
c.O poder e a profundidade da obra de Ellen White permanecem inexplicados pela má vontade dos seus críticos, alguns desinformados, meramente repetindo de maneira irrefletida aquilo que outros detratores disseram; outros ainda, superficiais e incrédulos, articulam argumentos que variam da infantilidade à falta de consistência lógica ou teológica. Neste contexto, podemos refrasear as palavras de Cristo quanto ao Batista, dirigidas aos líderes judeus que questionaram Sua identidade:“De onde é o ministério profético de Ellen White? Do céu ou dos homens? (Mat. 21:25). Que a resposta seja dada à luz frutos da vida e obra de Ellen White, porque, em última análise, os frutos testemunham da natureza da árvore (Mat. 7:16-18), e aqui a realidade transcende à cegueira dos críticos.
(9)Apocalipse 14: 6-12, com sua descrição das mensagens dos três anjos, como Knight observa, está “no coração da identidade dos Adventistas do Sétimo Dia” (Georg R. Knight, Metting Ellen White (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 1996), pág. 120). Para Ellen White, “A eles [aos Adventistas do Sétimo Dia] foi confiada a última advertência ao mundo que perece... A eles foi dada a obra do mais solene significado – a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Não há outro trabalho de maior importância. [E] Eles [os Adventistas] não deveriam permitir que nenhuma outra coisa absorvesse sua atenção” (Ellen White, Testemonies Vol. 9,pág. 19). As primeiras duas mensagens angélicas pavimentam o caminho para a pregação da mensagem do terceiro anjo, precisamente onde os Adventistas encontram sua exclusiva comissão profética e força motivadora (Knight, idem, pág. 121). Para Ellen White, esta é a última mensagem a ser proclamada ao mundo. “Não há nenhuma outra [mensagem] a seguir, nenhum outro convite de misericórdia a ser dado depois que ela realizar a sua obra. Que comissão! (Ellen White, Testemonies, Vol. 5, pág. 206, 207). Imediatamente após “a sua proclamação [da mensagem do terceiro anjo], o Filho do homem é visto pelo profeta vindo em glória para ceifar a colheita da terra” (Ellen White, The Story of Redemption, pág. 379). A terceira mensagem Angélica, que culmina e inclui duas outras que a precedem (veja “Three Angels Messages” em Seventh Day Adventist Encyclopedia, pág. 1484), além de ter abrangência global, constitui-se num teste para os seres humanos (Ellen White, Testemonies, Vol. 6, pág. 61). Portanto, esta é uma “mensagem de vida ou morte” (Ellen White, idem). A mensagem dos três anjos do Apocalipse 14, não apenas ergue-se no centro do pensamento Adventista, mas constitui um princípio que integra praticamente tudo aquilo que mantém: Cristo como nosso todo-suficiente Salvador, Sua justiça perfeita a ser aceita pela fé, o sábado, o evangelho eterno, a marca da besta, a grande controvérsia, a perseguição escatológica, etc. Ellen White, em seus vastos comentários sobre educação, reforma de saúde, obra de publicações e o ministério evangélico, associa tais temas às mensagens angélicas, como um todo orgânico (veja Knight, Meeting Ellen White, pág. 123). Para discussão detalhada, veja Seventh-day Adventist Believe..., págs. 164-169).
(10)Veja George Knight, Millenial fever and the End of World: A Study of Millerite Adventist (Boise, Idaho, Pacif Press Publishing Association, 1993, págs.295-325).
(11)Veja o 128thAnnual Statistical Report – 1990 (Silver Spring, MD. General Conference of Seventh-day Adventists, 1990), pág. 42. Como explicar o extraordinário crescimento do movimento adventista, levando-se em conta suas origens insignificantes e doutrinas impopulares? Clyde Hewit, um historiador do milerismo e seus desdobramentos, observa: “O mais insignificante dos grupos mileritas [os Adventistas do Sétimo Dia] foi precisamente o que se tornou, sem comparação, o maior deles” (Midnight and Morning [Charllote, N.C. Venture Books, 1983], pág. 275). Hewitt, então avança para a sua conclusão quanto à justificativa de tal crescimento: “Os Adventistas do Sétimo Dia estão convencidos de que eles foram divinamente comissionados para levarem avante a obraprofética iniciada por Guilherme Miller. Eles se dedicaram a esta tarefa” (idem, pág. 277). A força impelente do movimento Adventista tem sido a inabalável convicção de que eles constituem um povo profético, com uma exclusiva mensagem concernente ao breve retorno de Cristo a um mundo perturbado.
(12)William G. Johnsson, The Fragmenting Of Adventism (Boise, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 1995).
(13)Georg R. Knight, The fat lady and the Kingdom (Boise, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 1995). A Figura da Dama Obesa, evidentemente é representativa da Igreja. Obesidade é resultado não apenas da passagem do tempo, da idade, mas do próprio sucesso da Igreja que a tornou pesada, com uma máquina dispendiosa, vista como inadequada aos tempos atuais. Para Knight, a Igreja depara-se com dois perigos opostos. De um lado a superestrutura pesada, que eventualmente poderia esmagar o movimento adventista. Do outro lado, a real ameaça do congregacionalismo (págs. 142, 143). Evidentemente a solução encontra-se em ajustes na estrutura tradicional, sem se cair no extremo oposto do congregacionalismo, o que permitiria, portanto, que a Igreja Adventista continue sendo um movimento internacional viável, capaz de operar eficientemente no propósito de realizar sua missão global. Desde a década de 80, esforços têm sido feitos para uma reforma na estrutura administrativa da Igreja. Embora os resultados ainda sejam mínimos, não nos deveremos surpreender com possíveis mudanças que tornem a maquinaria da Igreja mais flexível, capaz de acompanhar as mudanças internas e externas, e mais adequada para os desafios do terceiro milênio.
(14)Ellen G. White, Selected messages, Vol. 1, pág. 121.
(15)Idem pág. 128.
(16)Ellen G. White, Testemonies for the Church, Vol. 4, pág. 19.
(17)Ellen G. White, Sketches for the Life of Paul, pág. 31.
(18)Ellen G. White, The Remanant Church, pág. 53.
(19)Ellen G. White, Selected Messages, Vol. 2, pág. 390.
(20)Ellen G. White,Review and Herald, Vol. 3, pág. 82.
(21)Ellen G. White, Selected Messagens, Vol. 2, pág. 397.
(22)Ellen G. White, Idem, Vol. 3, pág. 21.
(23)Ellen G. White, Testemonies to Ministers, págs. 488, 480.
(24)Ellen G. White, Idem.
(25)Friendly Fire, ou “Fogo Amigo”, é o nome irônico dado em guerras recentes, às baixas causadas entre combatentes lutando no mesmo lado. Por ignorância, falha humana ou técnica, pouca visibilidade, os disparos alvejam irmãos do mesmo exército. Na guerra do Golfo, fomos informados, um quarto de todas as baixas no exército americano foram causadas por soldados americanos.
(26)Johnsson, The Fragmenting, pág.61.
(27)Idem, pág. 21.
(28)Ellen G. White, Fundaments of Christian Education, págs. 294, 295.
(29)Ellen G. White, Conference Billetin, May 19, 1913, pág. 34.
(30)Robert J. Spangler, and Remember – Jesus is Coming Soon (Silver Spring, MD, Ministerial Association General Conference of Seventh-day Adventists, 1997), pág. 89.
(31)Ellen G. White, Testemonies for theChurch, Vol. 9, pág. 249.
(32)Ellen G. White, Testemonies to Ministers, págs. 45 e 46.
(33)Ellen G. White, Spiritual Gifts,Vol. 2, pág. 284.
(34)Ellen G. White, Carta 46, 1887, pág. 6.
(35)Ellen G. White, The Great Controversy, pág. 608.