Alberto R. Timm, Ph.D.
Professor de Teologia Histórica no SALT, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, e diretor o Centro
de Pesquisas Ellen White - Brasil
Resumo: As datas de 508 e 538 d.C. são
muito significativas para os adventistas do
sétimo dia. A primeira é tradicionalmente
reconhecida como o início dos 1.290 e
1.335 dias/anos de Daniel 12:11 e 12, e a
segunda, como ponto de partida dos 1.260
dias/anos de Apocalipse 11:3 e 12:6. O presente artigo descreve o contexto histórico
dessas datas, bem como o papel exercido
por eventos importantes no processo de
estabelecimento da supremacia papal.
Abstract: The dates of A.D. 508 and
538 are very significant for Seventh-day
Adventists. The first is traditionally aknowledged as the beginning of the 1,290
and 1,335 days/years of Daniel 12:11,
12, and the second, as the starting point
of the 1,260 days/years of Revelation 11:3
and 12:6. The present article describes the
historical background of those dates, as
well as the rule played by major events
in the process of establishment of papal
supremacy.
Introdução:
Uma das principais características da teologia adventista é a interpretação historicista
das profecias apocalípticas das Escrituras fundamentada no assim chamado princípio
dia-ano de interpretação profética.2 Baseado
na idéia de que cada dia profético representa um ano literal, as 70 semanas de Daniel
9:24-27 devem ser vistas como sendo 490
anos; os 1.260 dias de Apocalipse 11:3 e
12:6 (ver também Dn 7:25; 12:7; Ap 11:2;
12:14; 13:5), como sendo 1.260 anos; os
1.290 dias de Daniel 12:11, como sendo
1.290 anos; os 1.335 dias de Daniel 12:12,
como sendo 1.335 anos; e as 2.300 “tardes
e manhãs” de Daniel 8:14,3 como sendo
2.300 anos.
Tradicionalmente, os adventistas do
sétimo dia apontam o ano 508 d.C. como
sendo o início dos 1.290 e dos 1.335 anos,
e, 30 anos depois, o ano 538 d.C. como
sendo o início dos 1.260 anos.4 A principal
data de referência para esses cálculos tem
sido o ano de 1798 d.C., quando o papa Pio
VI foi capturado e aprisionado na França,
vindo a morrer no exílio.5 Subtraindo os
1.260 anos de 1798, os intérpretes adventistas chegaram até o ano de 538. Tirando
1.290 anos de 1798, eles chegaram ao ano
de 508. Enquanto que os 1.290 e os 1.260
anos tiveram seu término no mesmo ano
de 1798, os 1.335 anos são contados como
terminando 45 anos depois, entre 1843-1844 (veja o diagrama abaixo).

Embora a data de 1798 esteja bem
estabelecida pelo importante evento que
foi o aprisionamento do papa, o significado de 508 e 538 tem sido questionado
por diversos intérpretes críticos que
consideram essas datas como destituídas
de um sentido histórico mais relevante.6
Mas, se vistas dentro do amplo contexto
de estabelecimento da supremacia papal,
as datas tomam sentido como importantes
expressões desse processo.
Entre os estudos mais relevantes das
fontes históricas que sustentam essas datas
figuram os de Uriah Smith, intitulado The
Prophecies of Daniel and the Revelation
(1944),7 e a dissertação de mestrado de C.
Mervyn Maxwell, sob o título “An Exegetical and Historical Examination of the
Beginning and Ending of the 1260 Days of
Prophecy with Special Attention Given to
A.D. 538 and 1798 as Initial and Terminal
Dates” (1951).8 Mas parece evidente que
essas investigações poderiam ser ampliadas, levando-se em consideração uma
perspectiva histórica mais ampla.
Diante disso, a presente investigação
visa a prover uma contextualização histórica progressiva, que nos permita ver mais
claramente o grau de validade das datas
de 508 e 538 no contexto da interpretação
profética. Devido às limitações de tempo e
espaço, esta investigação se detém apenas
nos principais desenvolvimentos históricos relacionados com o assunto em discussão. A pesquisa bibliográfica se limitou
basicamente às fontes disponíveis em
língua inglesa. Estudos futuros deveriam
abranger também as fontes existentes em
outras línguas, especialmente em latim,
alemão, francês e italiano.
O contexto histórico de 508 d.C.
Eventos históricos não podem ser
analisados com propriedade sem que se
reconheçam os desenvolvimentos prévios
que os geraram. É evidente, portanto, que
nenhuma análise crítica séria pode ser feita
quanto ao uso dos anos 508 e 538 d.C. semque se leve em consideração alguns passos
significativos, prévios, rumo à união entre
a Igreja e o Estado, e o crescimento da
autoridade temporal do bispo de Roma.
O contexto histórico do ano 508 inclui
importantes eventos como a conversão
de Constantino, a publicação do livro de
Agostinho De Civitate Dei (A Cidade de
Deus) e a conversão de Clóvis.
A conversão de Constantino
Analisando-se a história dos primeiros
séculos da Igreja Cristã, percebe-se que
a conversão do Imperador Constantino,
em 312 d.C., não apenas se tornou um
importante referencial nas relações entre a
Igreja e o Estado, mas também gerou uma
mudança radical no status do Cristianismo.
Tendo sido perseguido no passado, o Cristianismo conseguiu certa tolerância a partir
de 311 por meio de um edito imperial.9 Foi,
porém, o Edito de Milão, promulgado em
313 pelos imperadores Constantino e Licínio, que concedeu aos cristãos completa
liberdade de culto.10
Durante os anos seguintes, sob a liderança de Constantino, as propriedades
eclesiásticas confiscadas foram restauradas à Igreja, e o “Dia do Sol” (domingo)
foi imposto “como um dia de descanso e
culto”. Além disso, Constantino assumiu
“uma posição de liderança teológica no
concílio de Nicéia, em 325, quando arbitrou
a controvérsia ariana”.11
Depois que Constantino mudou a capital do império de Roma para Constanti-nopla em 330, a liderança do bispo de Roma
acabou sendo deixada sozinha “durante
muito tempo”, e os romanos passaram a
encará-lo naturalmente como o seu legítimo
“líder temporal e espiritual” em situações
de crise.12
A despeito do fato de Constantino jamais haver resignado sua posição como
Pontifex Maximus, principal sacerdote
da religião pagã estatal,13 suas decisões
já eram “um grande ponto crucial”14 na
história do Cristianismo. De acordo com
Daniel Walther, “embora antes de 313 fosse
difícil ser um cristão, era difícil não ser um cristão após essa data”.15
O processo de conceder privilégios à
Igreja foi seguido pelos imperadores subseqüentes. O título de Pontifex Maximus
não foi mais usado pelo Imperador Graciano. Em 380, Teodósio I promulgou “um
edito tornando o Cristianismo a religião
exclusiva do Estado”, e “qualquer pessoa
que seguisse outra forma de culto seria
punida pelo Estado”. Por meio do Edito de
Constantinopla, em 392, os cultos pagãos
tornaram-se ilegais. Portanto, o Cristianismo acabou se transformando finalmente na
religião do Estado, e começou a perseguir
o paganismo da mesma forma como o paganismo o havia perseguido antes.16
A Cidade de Deus de Agostinho
Ao mesmo tempo em que a Igreja Romana se tornava cada vez mais poderosa, o
Império Romano enfrentava uma crescente
fraqueza interna. Cônscio dessa realidade,
Alarico invadiu a Itália com os visigodos
em 401. Como as autoridades romanas não
tinham mais condições de recrutar forças
militares suficientes para deter as invasões
desses povos bárbaros, os visigodos saquearam Roma em 410. Que a “Roma Eterna”,
amada pelos deuses, fosse tratada dessa
forma apenas podia ser interpretado pelos
pagãos como a conseqüência do abandono
dos seus antigos deuses, cuja adoração havia sido considerada ilegal desde 392.17
Em resposta a essa acusação, Agostinho escreveu, entre 413 e 426, sua
famosa obra intitulada De Civitate Dei
(A Cidade de Deus).18 Embora o livro
fosse escrito originalmente para solucionar um problema específico da época, sua
influência na história da Igreja Cristã vai
muito além do seu tempo. Thomas Merton
enfatiza o fato de que “a visão de Santo
Agostinho da história é a visão mantida
pela Igreja Católica e por toda a tradição
católica”.19
Os historiadores concordam que Carlos
Magno “encontrou na Cidade de Deus, de
Santo Agostinho, uma inspiração para o
Império Cristão que ele esperava reerguer
no mundo transformado dos séculos 8º e 9º”.20 R. W. Collins vai além em declarar
que “foi, sem dúvida, a Cidade de Deus
que proveu a teoria do poder temporal do
papado, com suas pretensões de domínio
mundial”.21 L. P. Qualben explica que
a “Cidade de Deus” exerceu uma profunda influência sobre o Cristianismo ocidental. Ela formou
o pano de fundo religioso para a teoria do papado
medieval. A Cúria Romana da Idade Média transformou realmente a Civitas Dei [cidade de Deus]
na Civitas Terrena [cidade terrestre], representada
pelo império visível da Igreja governado pelo
Bispo de Roma. A “Cidade de Deus” acentuou
também a forte distinção entre o sagrado e o
secular, que ainda continua exercendo tão grande
influência sobre a civilização ocidental.22
A conversão de Clóvis
As invasões das tribos bárbaras trouxeram não apenas um problema político
para o Império Romano, mas também
muitas dificuldades para as pretensões
do bispo de Roma. Além da tarefa de
converter muitas tribos do paganismo,
havia também o problema de converter
os visigodos e os lombardos do arianismo
para a ortodoxia cristã.23
Mas um evento muito significativo
ocorreu quase no fim do quinto século. Em
493, Clóvis I, rei dos francos, casou-se com
Clotilde, princesa católica de Borgonha.24
Mesmo permitindo que seus filhos fossem
batizados, ele próprio hesitava abjurar “a fé
dos seus ancestrais”.25 Mas ele viu também
que a Igreja Católica Romana se tornaria
“o grande poder eclesiástico do futuro”,
e se defrontou com a questão básica: Deveria o seu grande poder político crescer
“em aliança com esse outro poder ou em
oposição a ele?”26
À semelhança de Constantino,27 Clóvis começou a perceber “a força que ele
ganharia se aceitasse o Cristianismo”,28 e,
durante uma batalha com os alamanos, ele
jurou aceitar o Deus de Clotilde e se tornar
um cristão se saísse vitorioso.29 Em decorrência de sua vitória, ele foi batizado no
dia de Natal de 49630 “com três mil de seus
soldados pelo Bispo Remígio de Reims”31
que proferiu na ocasião as conhecidas palavras: “Inclina a tua cabeça em humildade, ó sicambriano; adora o que havias queimado
e queime o que havias adorado”.32
De acordo com E. E. Cairns, “a aceitação do Cristianismo por Clóvis teria
efeitos duradouros na história futura da
Igreja”.33 H. Rosenberg afirma que “a
conversão de Clóvis lançou os fundamentos
para uma importante aliança entre o papado
e os francos”.34 É evidente que “isto não
significa que o papa teve imediatamente
grande influência sobre a política real”,
mas o fundamento foi lançado naquela
ocasião, pois “foram apenas os francos que
se tornaram, de todas as tribos germânicas,
um amplo poder na história geral da Idade
Média”.35
E. Emerton declara que
o papa ficou, por conseguinte, cheio de satisfação
ao ouvir que o recém converso franco havia assumido a sua forma de fé cristã. Ele estava pronto a
abençoar qualquer empreendimento deles como
a obra de Deus, se apenas fosse em oposição aos
pagãos arianos. Assim começou, já no ano 500,
um acordo entre o papado romano e o império
franco que haveria de amadurecer em uma íntima
aliança, e de fazer muito para forjar toda a história
futura da Europa.36
Para W. J. Courtenay, a conversão de
Clóvis “transformou automaticamente
as guerras de Clóvis em guerras santas
contra os hereges e os descrentes”.37 Gwatkin e Whitney explicam que os bispos da
Igreja de Roma exerceram a mais poderosa influência para apoiar a Clóvis em
suas lutas contra as tribos bárbaras pagãs,
e mesmo contra aquelas que aderiram à
heresia ariana. Com tal apoio, suas guerras
assumiram “o caráter de guerras religiosas
– cruzadas, valendo-nos do termo usado
posteriormente”.38
O ano de 508 d.C.
Em 507, Clóvis declarou guerra contra os visigodos. Ele era o agressor, e
acreditava que “era uma guerra religiosa
para libertar a Gália dos hereges arianos”.
Reunindo suas tropas, ele fez a elas um
vigoroso discurso, no qual declarou:
“Entristece-me o fato desses arianos dominarem uma parte da Gália. Marchemos,com a ajuda de Deus, e subjuguemos o
seu país”.39
Sem dúvida, “o elemento religioso
foi muito poderoso nessa guerra”,40 “da
qual dependia, humanamente falando, a
supremacia do credo católico ou do ariano
na Europa ocidental”.41 Após a sua vitória,
em 508, Clóvis recebeu honras especiais de
Roma. De acordo com Auguste Dumas,
em 508, enquanto retornava daquela conquista,
Clóvis veio a Tours, oferecendo suas dádivas a
São Martinho. Ele viu uma embaixada vindo de
Constantinopla. “Ele recebeu, de acordo com
Gregório de Tours, do Imperador Anastácio,
o diploma de cônsul. Na basílica de São Martinho, ele vestiu-se com uma túnica púrpura,
a clâmide, e colocou um diadema sobre a sua
cabeça. Então, montado em um cavalo, ele jogou alguns pedaços de ouro e de prata para as
pessoas reunidas na estrada. Daquela época em
diante, ele era chamado de cônsul e Augusto.”
(Hist. Franc., ii, 38).42
Em realidade, Clóvis “aparece como um
dos grandes gênios criativos que dão um
novo rumo ao curso da história”.43 Ele “foi
o fundador da primeira monarquia bárbara
plenamente capaz de resistir vitoriosamente
aos últimos choques de invasão e de permanecer por muitos séculos”,44 e que “se
tornou um sustentáculo vigoroso do papado
na baixa Idade Média”.45
Victor Duruy enfatiza apropriadamente
o importante papel desempenhado por Clóvis como um grande unificador. Ele diz:
Clóvis foi o primeiro a unir todos os elementos dos quais a nova ordem social seria formada,
a saber, os bárbaros, aos quais ele colocou no
poder; a civilização romana, à qual ele rendeu
homenagem ao receber a insígnia de patriarca e
cônsul da parte do Imperador Anastácio; e a Igreja
Católica, com a qual ele estabeleceu a frutífera
aliança que foi continuada pelos seus sucessores.
O Concílio de Orleans havia sancionado essa
aliança, reconhecendo a Clóvis como o protetor
da Igreja, cujas isenções ele confirmou nesse
mesmo concílio. O papa já havia escrito a ele: “O
Senhor proveu as necessidades da Igreja por lhe
conceder como defensor um príncipe armado com
o capacete da salvação: sejas sempre para ela uma
coroa de ferro, e ela te concederá a vitória sobre
os teus inimigos”.46
George B. Adams também enfatizou o
fato de que Clóvis
uniu os romanos e os germanos em termos iguais,
preservando cada um deles as fontes de sua força,
para formar uma nova civilização. Ele fundou um
poder político que haveria de unir em si quase todo
o continente, e dar fim ao período das invasões.
Ele estabeleceu uma íntima aliança entre as duas
grandes forças controladoras do futuro, os impérios que continuaram a unidade criada por Roma,
o império político e o eclesiástico.
47
O mesmo autor explica o significado
eclesiástico dessa aliança, na seguinte
declaração:
É provável que o Império Franco poderia ter
sido formado sem essa aliança. É possível também
que uma organização eclesiástica comum poderia
ter sido criada para todas as suas partes; mas teria
sido impossível para tal igreja realizar a obra –tão
importante fora das fronteiras francas como dentro
delas – que a Igreja Católica levou a cabo.48
Do que foi dito até aqui, podemos concluir que (1) a conversão de Constantino
foi o ponto crucial que permitiu que o
Cristianismo se tornasse a religião oficial
do Império Romano; (2) A Cidade de
Deus, de Agostinho, proveu o ideal filosófico que inspirou o papado a construir um
poder temporal para conquistar o mundo;
(3) a conversão de Clóvis I abriu as portas
para a unificação político-eclesiástica que
era necessária para apoiar as pretensões
católico-romanas durante a Idade Média; e
(4) a guerra de Clóvis e a vitória final sobre
os visigodos arianos, em 508, representa
um passo extremamente importante em
prover um exército efetivo para a Igreja
Católica Romana punir os assim chamados
“hereges”.
Portanto, o que ocorreu em 508 pode
ser considerado um dos passos mais significativos no processo de consolidação das
pretensões temporais da Igreja Católica
Romana, que atingiu sua culminância nas
fortes perseguições da Idade Média.
O contexto histórico de 538 d.C.
Muitos eventos importantes ocorreram
no longo processo de fortalecimento do
papado. Tendo em mente o que foi dito até
aqui, passaremos agora a considerar maisespecificamente alguns desses eventos
ocorridos desde o início do sexto século
até o ano de 538. De especial relevância
foi a eleição do papa Símaco e o apoio do
imperador Justiniano I.
O papa Símaco
No período inicial da Igreja Cristã, todos os
bispos possuíam quase que a mesma autoridade. Mas “entre 313 e 590, o bispo romano passou a ser reconhecido como o primeiro entre
os iguais”. Com a ascensão de Leão I ao trono
episcopal, em 440, o bispo de Roma começou
a reivindicar mais explicitamente sua supremacia sobre os demais bispos. Alguns dos bispos
romanos da segunda metade do quinto século
eram homens poderosos, e “não deixavam
passar nenhuma oportunidade que pudesse
aumentar o seu poder”.49
Na passagem do quinto para o sexto século, o Papa Símaco foi “acusado de muitos
crimes”, dentre os quais se destacavam o de
“adultério” e o de “dissipar as propriedades
da Igreja”. As acusações foram levadas ao
herético rei ariano Teodorico, que convocou, com o consentimento do papa, um
sínodo em 501 para tratar da questão. A
despeito do fato de algumas pessoas argumentarem “que o bispo romano não podia
ser julgado por qualquer outra pessoa,
mesmo que fosse acusado de crimes como
aqueles dos quais Símaco era acusado”,
o problema não foi solucionado imediatamente. Mas finalmente, os membros de
um sínodo realizado em 503 “exigiram
que os oponentes e os acusadores do papa
deveriam ser punidos, e saudaram a ele
com altos brados de alegria”. Teodorico,
rei dos ostrogodos, que estivera diretamente envolvido na solução do problema,
“ordenou agora que todas as igrejas em
Roma fossem entregues a Símaco, e que
somente ele fosse reconhecido como bispo
desta cidade”.50
Embora essas discussões tratassem mais
especificamente da integridade moral pessoal de Símaco em ocupar o trono papal, a
questão básica da autoridade papal também
estava envolvida: poderia um papa ser julgado por um rei ou por outros bispos?
Em resposta a essa questão, havia pelo menos um “infame e extravagante bajulador de Símaco”, chamado Enódio, que
chegava mesmo a ponto de asseverar “que
um pontífice romano era constituído juiz
em lugar de Deus, posição por ele ocupada
como o subgerente do Altíssimo”.51
Embora o próprio Símaco admitisse
obedecer “aos poderes temporais quando
estes se limitam à esfera deles”, ele era
também capaz de condenar o imperador
por “apoiar a heresia”, enfatizando a sua
própria superioridade sobre o governante:
Você imagina que, por ser um imperador,
é permitido a você desprezar as ordenanças de
Deus, e exaltar-se contra o poder de São Pedro?
... Compare a dignidade dos imperadores com a
de um pontífice. Entre eles existe tanta diferença
como entre um administrador das coisas terrestres e outro das celestiais. Embora você seja um
príncipe, você recebe do pontífice o batismo e
os sacramentos, e seu pedido de penitência. Em
resumo, enquanto você é encarregado apenas de
questões humanas, ele dispensa a você os bens
celestiais. A dignidade dele, por conseguinte, é
pelo menos igual à sua, para não dizer superior
a ela.52
O imperador Justiniano
Justiniano I tornou-se em 527 o único
imperador do segmento oriental do Império
Romano, conhecido como Império Bizantino. Seus ideais políticos e eclesiásticos são
bem definidos por Daniel D. McGarry na
seguinte declaração:
Ele era inspirado por dois grandes projetos:
[1] restaurar o Império Romano ao redor do Mediterrâneo Ocidental, e [2] restabelecer a unidade da
Igreja Cristã. O primeiro alvo postulava a reconquista do ocidente do Mediterrâneo; o segundo, a
erradicação da heresia no Egito e na Síria.53
Mas Justiniano não via esses dois alvos
como dissociados um do outro. Em realidade, ele reconhecia que uniformidade
em questões seculares só poderia ser bemsucedida com “a mesma uniformidade
em questões de fé.” Portanto, “Justiniano
desejava reunificar todas as ramificações da
Igreja Cristã e abolir todas as heresias”.54
De acordo com James Bryce:
Não apenas orgulhava-se de sua ortodoxia,
como vários soberanos anteriores haviam feito, mas tinha também grande confiança em sua
própria capacidade como teólogo, e tomou parte
ativa em todas as controvérsias da época. Sendo
um estudante diligente e uma pessoa de algumas
pretensões literárias, ele leu e escreveu consideravelmente sobre assuntos teológicos.55
Algumas decisões eclesiásticas muito
significativas foram tomadas por Justiniano.56 Como um “campeão da ortodoxia”,
ele “proibiu impiedosamente tanto o paganismo quanto a heresia”.57 R. W. Collins
explica que
os devotos das divindades pagãs foram privados
de todos os direitos civis; assim eles não podiam
exercer ofícios públicos, deixar como herança suas
propriedades, ou servir como testemunha num
julgamento. A pena de morte foi decretada a todos
os que secretamente praticassem um culto pagão
ou, uma vez convertidos, retornassem à sua antiga
fé. Os filhos de pais pagãos deveriam ser tomados
destes, batizados e instruídos na religião cristã.
Todos os templos restantes eram convertidos em
igrejas cristãs ou destruídos. Como um sopro final
contra o paganismo, a Academia de Atenas, o
último refúgio da filosofia pagã, foi fechada [em
529], seus professores foram dispersos, e suas
doações, confiscadas.58
Considerando “a unidade da fé em
um estado bem-organizado tão essencial
quanto a unidade política”,59 Justiniano
realizou um trabalho incomparável como
“codificador e consolidador das leis preexistentes”, e como legislador, preparando
“novas leis” que foram incorporadas em
sua famosa Corpus Juris Civilis.
60 Essa
obra inclui não apenas leis civis, mas
também leis eclesiásticas, por meio das
quais a supremacia eclesiástica do papa foi
oficialmente legalizada.61
Na segunda edição do seu Codex, publicado no dia 16 de novembro de 534,62
aparece uma carta escrita por Justiniano
ao Papa João II, em 53363, na qual ele reconhece o papa como “o cabeça de todas
as Sagradas Igrejas”. Justiniano inicia sua
carta com as seguintes palavras:
Justiniano, Vitorioso, Pio, Feliz, Renovado,
Triunfante, sempre Augusto, a João, Patriarca,
e o mais Santo Arcebispo da justa Cidade de
Roma: Com honra à Sé Apostólica, e à Vossa
Santidade, que é e sempre tem sido lembrada em Nossas orações, tanto agora como anteriormente,
e honrando vossa alegria, como é próprio no caso
de alguém que é considerado como um pai, Nós
nos apressamos em trazer ao conhecimento de
Vossa Santidade tudo o que esteja relacionado
com a condição da Igreja, uma vez que sempre
tivemos o maior desejo de preservar a unidade da
Sé Apostólica, e a condição das Santas Igrejas de
Deus, como elas existem no tempo presente, para
que permaneçam sem distúrbios ou oposições.
Portanto, Nós Nos empenhamos em unir todos os
sacerdotes do Oriente e sujeitá-los à Sé de Vossa
Santidade, e, em conseqüência das questões levantadas presentemente, embora elas sejam evidentes
e livres de qualquer dúvida, e, de acordo com a
doutrina da vossa Sé Apostólica, são observadas
constantemente com firmeza e pregadas por todos
os sacerdotes, Nós ainda consideramos necessário
que elas sejam trazidas à atenção de Vossa Santidade. Pois não permitimos que nada que diga
respeito à condição da Igreja, embora o que cause
as dificuldades seja claro e livre de dúvida, seja
discutido sem que seja trazido ao conhecimento
de Vossa Santidade, porque Vós sois o cabeça de
todas as Santas Igrejas, pois Nós Nos empenharemos de todas as formas (como já mencionado)
para aumentar a honra e a autoridade da Vossa
Sé.
64
É importante notar também a maneira
como o papa enfatizou sua própria autoridade em uma carta escrita a Justiniano:
João, Bispo da Cidade de Roma, ao seu mais
Ilustre e Misericordioso Filho Justiniano:
Entre as conspícuas razões para
louvar a vossa sabedoria e nobreza, Mais Cristão
dos Imperadores, e um que irradia luz como uma
estrela, se encontra o fato de que pelo amor do Pai,
e movido pelo zelo pela caridade, tu, instruído em
disciplina eclesiástica, tens mantido a reverência
pela Sé de Roma, e tens subjugado todas as coisas à sua autoridade, e lhe tens dado unidade. O
seguinte preceito foi comunicado ao seu fundador,
isto é, ao primeiro dos Apóstolos, pela boca do Senhor, a saber: “Apascenta os meus cordeiros”.
Esta Sé é, em realidade, a cabeça de todas
as igrejas, como assegurado pelos preceitos dos
Pais e decretos dos Imperadores, e testificado pelas
palavras de vossa mais venerável piedade.65
No mesmo ano (533), Justiniano
promulgou um edito “contra todos os
hereges”.66 Também em 533, um acordo de
paz foi firmado entre os persas e os romanos, e os laureados filósofos pagãos, que se
refugiaram entre os persas após Justiniano haver decretado o fechamento da escola
deles em Atenas (529), “desapareceram
gradativamente nas escolas públicas e seminários de erudição, que deixaram, com
o passar do tempo, de estar sobre a direção
deles”.67
Uma das maiores evidências do interesse de Justiniano nas questões da Igreja pode
ser observado, entretanto, “nos edifícios
que ele construiu por todo o império”.68 O
maior deles foi a Igreja da Hagia Sophia,
ou a Igreja da Sagrada Sabedoria, que “foi
designada para ser o símbolo visível do
poder imperial”, e da qual o imperador
considerava-se a si mesmo o representante
terrestre”.69 Construída em Constantinopla
e dedicada no dia de Natal de 537, esse
edifício tem sido considerado “o mais
magnífico monumento da arte bizantina
da época” e “o mais importante edifício na
história da arte cristã”.70
O ano de 538 d.C.
Como visto anteriormente, muitos eventos importantes ocorreram durante o período anterior a 538, preparando o caminho
para a supremacia papal da Idade Média.
Embora Justiniano houvesse reconhecido
oficialmente em 533 a primazia eclesiástica
do papa, a Igreja de Roma ainda não tinha
liberdade política para exercer sua supremacia. Desde a queda do Império Romano
(476), Roma estava sempre sob domínio de
um rei ariano. Os hérulos dominaram Roma
até o tempo em que o seu rei Odoacro foi
assassinado por Teodorico, em 493.71 Em
534, os vândalos foram completamente
derrotados por Belisário e o seu exército.
Mas Roma ainda não havia sido libertada
do domínio dos ostrogodos.
Em realidade, Roma, de acordo com
Hodgkin, foi bloqueada por 374 dias,
durante 537 e 538, pelo grande cerco dos
ostrogodos. Mas por volta de 12 de março
de 538, “os godos resolveram abandonar
o seu cerco a Roma.”72 Herwing Wolfram
esclarece que “no dia 21 de junho de 538,
Belisário deixou Roma. Pouco depois,
Narses, com sete mil homens, desembarcou em Picenum, provavelmente no
porto de Firmum-Fermo. A superioridade numérica dos godos era agora uma coisa
do passado.”73
Por conseguinte, “em 538, pela primeira vez desde o fim da linhagem imperial
ocidental, a cidade de Roma estava livre
do domínio de um reino ariano”.74 Isso
não significa que naquela época o Império
Ostrogodo sucumbiu, “mas a sepultura da
monarquia ostrogoda na Itália foi cavada
pela derrota desse cerco”.75
Também em 538 foi realizado o Terceiro
Sínodo de Orleans,76 no qual “os bispos
reunidos declararam a sua intenção de restabelecer as antigas leis da Igreja e aprovar
novas leis”.77 Entre os 33 cânones, havia
um (Cânone 13) no qual é dito que “os
cristãos não devem se casar com judeus,
nem mesmo comer com eles”;78 e outro
(Cânone 28) diz:
É uma superstição judaica a noção de que é
ilegal cavalgar ou dirigir no Domingo, ou fazer
qualquer coisa para decorar a casa ou a pessoa.
Mas os trabalhadores do campo são proibidos, de
maneira que o povo tenha condições de vir à igreja
e adorar. Qualquer que agir de outra forma será
punido, não pelos leigos, mas pelos bispos.79
No dia 29 de junho de 538, o Papa Virgílio respondeu uma carta de Profuturo,
Bispo de Braga, na Lusitânia, na qual ele
“condena aqueles que se abstêm de certos
tipos de carnes, alegando serem proibidas,
ou más em si mesmas, como se procedessem de um princípio mau; que foi a
doutrina dos maniqueus”.80
O fato de Virgílio ser levado a Constantinopla e mantido lá por sete anos (547-
554),81 por não haver obedecido à vontade
imperial, não significa que naquela época
não houvesse um poder eclesiástico para
apoiar as ambições católico-romanas. O
verdadeiro problema foi que Justiniano,
“que se orgulhava de seu conhecimento
teológico e que tinha um amor apaixonado
por sutis debates teológicos”, não estava
satisfeito apenas em convocar concílios,
sancionar ou revogar seus decretos, formular confissões de fé, e proferir veementes
anátemas; ele estava determinado mesmo
“a dominar o Papa, bem como a Igreja
oriental”.82
De acordo com Bémont e Monod,
À medida que o bispo de Roma estava se
tornando, desta maneira, o primata indisputável
da Itália, e exercendo uma função de liderança
na Igreja universal, ele começou a se envolver
em questões temporais, não apenas em Roma,
mas também no Império, e mesmo entre os reinos bárbaros. Até o sexto século, todos os papas
são declarados santos nas martirologias. Virgílio
(537-555) foi o primeiro de uma série de papas a
não mais trazerem esse título, que foi conferido
parcimoniosamente desde aquele tempo. Dessa
época em diante, os papas, cada vez mais envolvidos em assuntos temporais, não pertenciam
apenas à Igreja; eles são homens de Estado, e,
então, governantes do Estado.83
Platt e Drummont declaram que “poucos imperadores da Roma antiga tiveram
tanto poder como o Papa durante a Idade
Média”.84
Do que foi dito sobre o contexto
histórico de 538 d.C., podemos concluir
que (1) a despeito do fato de Símaco ter
legalmente de se submeter algumas vezes ao herético rei ariano Teodorico, ele
não apenas se considerava superior ao
governante secular, mas chegou mesmo
a se auto-denominar “juiz em lugar de
Deus” e “subgerente do Altíssimo”;85 (2)
Justiniano I não apenas chamou o papa de
“o cabeça de todas as Sagradas Igrejas”,86
mas também legalizou oficialmente a
supremacia eclesiástica do papa; e (3) foi
somente em 538 que a cidade de Roma se
tornou livre do domínio de qualquer reino
ariano “herético”, e a Igreja de Roma foi
capaz de desenvolver mais efetivamente a
sua supremacia eclesiástica.
A seguinte declaração é muito significativa para se obter uma clara idéia do
relacionamento entre 533 e 538, como
mencionado anteriormente:
Embora esse reconhecimento legal da supremacia eclesiástica do papa seja datado de 533,
é óbvio que o edito imperial não pôde se tornar
efetivo para o papa enquanto o reino ariano dos
ostrogodos controlava Roma e grande parte da
Itália. Foi somente após o domínio dos godos
ter sido quebrado que o papado teve liberdade
para desenvolver plenamente o seu poder. Em
538, pela primeira vez desde o fim da linhagem
imperial ocidental, a cidade de Roma estava livre
A importância das datas de 508 e 538 d.C. para a supremacia papal / 15
do domínio de um reino ariano. Naquele ano, o
reino dos ostrogodos recebeu o seu golpe mortal
(embora os ostrogodos sobrevivessem mais alguns
anos como um povo). Esta é a razão porque 538 é
uma data mais significativa do que 533.87
Resumo e conclusões
Uma análise da história do Cristianismo revela que vários passos importantes
ocorreram entre os séculos quarto e sexto
no processo pelo qual a Igreja Romana
tornou-se cada vez mais influente em questões seculares. Esse processo culminou na
união entre a Igreja e o Estado.
No tempo de Constantino, o Cristianismo obteve liberdade de culto, tornando-se
uma das religiões oficiais do Estado. Os
imperadores subseqüentes avançaram mais
e mais na direção de transformar o Cristianismo na religião exclusiva do Estado.
Após o saque de Roma pelos visigodos em
410, Agostinho escreveu sua famosa obra A
Cidade de Deus, na qual ele expôs “o ideal
católico de uma igreja universal em controle de um estado universal”, provendo “a
base teocrática para o papado medieval”.88
A conversão de Clóvis, rei dos francos, foi
um evento muito significativo em prover a
unificação da Europa Ocidental para apoiar
o papado durante a primeira metade da
Idade Média. E a guerra de Clóvis contra
os visigodos arianos e sua vitória sobre eles
em 508, representa um passo importante
em prover um exército efetivo para a Igreja
Católica Romana punir os “hereges”.
A despeito do fato de o Papa Símaco ser
fortemente acusado e ter de se submeter ao
julgamento do herético rei ariano Teodorico, ele se considerava superior ao governante secular e foi chamado até mesmo de
“juiz em lugar de Deus” e “subgerente do
Altíssimo”.89 Já em 533, Justiniano, imperador do Império Bizantino, reconheceu a
supremacia eclesiástica do papa quando o
chamou de “a cabeça de todas as Sagradas
Igrejas”,90 e, no ano seguinte (534), esse
status foi legalizado oficialmente na segunda edição do Codex. Mas foi somente em
538 que a cidade de Roma acabou sendo
libertada do domínio de um “herético”
reino ariano, e a Igreja Romana foi capaz
de desenvolver mais efetivamente sua supremacia eclesiástica.
Podemos concluir, com base nas discussões anteriores, que, se tomarmos os eventos
ocorridos em 508 e 538 isoladamente, sem
levar em consideração os seus respectivos
contextos históricos, poderemos ser tentados
a negar a validade de se escolher essas datas
como pontos de partida para os períodos
proféticos dos 1.290 e 1.335 anos, e para
os 1.260 anos. Mas se considerarmos os
anos de 508 e 538 à luz dos seus respectivos
antecedentes históricos, perceberemos que
não existe qualquer razão para negarmos a
importância histórica de tais datas no longo
processo de estabelecimento da autoridade
temporal do Bispo de Roma.
Referências
1 Uma versão preliminar deste artigo foi publicada na Revista Teológica do Salt-Iaene 3 (janeirojunho de 1999): 40-54.
2 Conceitos úteis sobre o princípio “dia-ano” de
interpretação profética são providos em William H.
Shea, Selected Studies on Prophetic Interpretation,
Daniel and Revelation Committee Series, vol. 1
([Washington, DC: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventists], 1982);
Alberto R. Timm, “Miniature Symbolization and
the Year-Day Principle of Prophetic Interpretation,”
Andrews University Seminary Studies 42 (primavera
de 2004):149-167; publicado em português sob o
título “Simbolização em miniatura e o princípio
‘dia-ano’ de interpretação profética”, Parousia 3
(nº 1): 33-46.
3 Siegfried J. Schwantes demonstrou que, de
acordo com Gênesis 1, a expressão “tardes e manhãs”
representa “dias.” Ver S. J. Schwantes, “‘Ereb Boqer
of Dan 8:14 Re-examined”, Andrews University Seminary Studies 16 (outono de 1978): 375-385.
4 O desenvolvimento da compreensão inicial dos
adventistas do sétimo dia dos 1.260, 1.290 e 1.335
dias-anos é apresentado em P. Gerard Damsteegt,
Foundations of the Seventh-day Adventist Message
and Mission (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1977):
20-25, 38-40, etc. Ver também Alberto R. Timm, “Os
1290 e 1335 Dias de Daniel”, Ministério (Brasil),
maio-junho de 1999, pp. 16-18; disponível em inglês como “The 1.290 and 1.335 Days of Daniel 12,” em
http://biblicalresearch.gc.adventist.org/documents/
daniel12.htm.
5 Ver Artaud de Montor, The Lives and Times of
the Roman Pontiffs, from St. Peter to Pius IX (New
York: D. & J. Sadlier, 1866), 2:486-513; Ludwig
von Pastor, The History of the Popes from the Close
of the Middle Ages (London: Routledge and Kegan
Paul, 1953), 40:332-339; J. N. D. Kelly, The Oxford
Dictionary of Popes (Oxford: Oxford University
Press, 1986), 302; S. J. Watson, By Command of
the Emperor: A Life of Marshal Berthier (London:
Bodley Head, 1957), 67-70; Owen Chadwick, The
Popes and European Revolution, Oxford History
of the Christian Church (Oxford: Clarendon Press,
1981), 462-471.
6 Por exemplo, Bernard Grun, em sua obra The
Timetables of History, nova 3ª ed. rev. (New York:
Simon & Schuster, 1991), não apresenta qualquer
evento histórico significativo relacionado tanto a
508 quanto a 538 d.C.
7 Uriah Smith, The Prophecies of Daniel and
the Revelation, ed. rev. (Nashville, TN: Southern
Publishing Association, 1944), 266-279, 323-334.
8 C. Mervyn Maxwell, “An Exegetical and Historical Examination of the Beginning and Ending of the
1260 Days of Prophecy with Special Attention Given
to A.D. 538 and 1798 as Initial and Terminal Dates”
(dissertação de mestrado, Seventh-day Adventists
Theological Seminary, 1951).
9 Lars P. Qualben, A History of the Christian
Church (Nova York: Thomas Nelson and Sons,
1940), 116.
10 Earle E. Cairns, O Cristianismo Através dos
Séculos: Uma História da Igreja Cristã, trad. Israel
Belo de Azevedo (São Paulo: Vida Nova, 1984),
100.
11 Ibid.
12 Ibid., 127. Ver também M. Creighton, A History
of the Papacy from the Great Schism to the Sack of
Rome (Londres: Longmans, Green, and Co., 1907),
1:7-8.
13 Cairns, 100.
14 Qualben, 116.
15 Daniel Walther, “I Believe... in the Millennium”, Review and Herald, 4 de maio de 1972, 5.
16 Cairns, 100-101.
17 Katherine F. Drew, “Barbarians, Invasions
of”, em Joseph R. Strayer, ed., Dictionary of the
Middle Ages (Nova York: Charles Scribner’s Sons,
1983), 2:90-91.
18 Ver R. H. Barrow, Introduction to St Augustine, The City of God (Londres: Faber and Faber,
[1950]), 17. Em português, ver Santo Agostinho, A
Cidade de Deus (contra os pagãos) (Petrópolis, RJ:
Vozes, 1990).
19 Thomas Merton, “Introduction”, em Saint
Augustine, The City of God (Nova York: Modern
Library, 1950), ix.
20 Edward R. Hardy, Jr., “The City of God”, em
Roy W. Battenhouse, ed., A Companion to the Study
of St. Augustine (Nova York: Oxford University
Press, 1955), 257.
21 Ross William Collins, A History of Medieval
Civilization in Europe (Boston: Ginn and Company,
s.d.), 102.
22 Qualben, 126.
23Cairns, 103.
24 Walter C. Perry, The Franks, from Their First
Appearance in History to the Death of King Pepin
(Londres: Longman, Brown, Green, Longmans, and
Roberts, 1857), 75.
25 H. M. Gwatkin e J. P. Whitney, The Cambridge
Medieval History (Nova York: Macmillan, 1926),
2:111.
26 George B. Adams, Civilization during the
Middle Ages (Nova York: Charles Scribner’s Sons,
1914), 140.
27 Cf. Brian Tierney e Sidney Painter, Western
Europe in the Middle Ages: 300-1475, 3ª ed. (Nova
York: Alfred A. Knopf, 1978), 54: “A história contada sobre a conversão de Clóvis é semelhante à de
Constantino.”
28 Gwatkin e Whitney, 112.
29 Cf. Thomas Hodgkin, Theodoric the Goth; the
Barbarian Champion of Civilization (Nova York: G.
P. Putnam’s Sons, 1894), 189-190: “Clóvis, elevando
os seus olhos aos céus e derramando lágrimas em
agonia de alma, disse: ‘Ó Jesus Cristo!, a quem
Clotilde declara ser o filho do Deus vivo, e de quem
é dito dar ajuda aos abatidos e a vitória aos que em
ti confiam, eu humildemente oro por tua gloriosa
ajuda, e prometo que se me concederes a vitória sobre
esses inimigos, eu crerei em ti e serei batizado em
teu nome. Pois eu clamei aos meus próprios deuses e
cheguei à conclusão de que eles não são de nenhum
poder e não ajudam àqueles que os buscam.’”
30 Archibald Bower, The History of the Popes
(Philadelphia: Griffith & Simon, 1844), 295.
31 Jean Hubert, “Clovis,” in Warren E. Preece, ed.,
Encyclopædia Britannica (Chicago, IL: Encyclopedia Britannica, 1971), 5:952.
32 Hodgkin, Theodoric the Goth, 190.
33 Cairns, 104.
34 Harry Rosenberg, “The West in Crisis”, em
Tim Dowley, ed., Eerdmans’ Handbook to the History of Christianity (Grand Rapids, MI: Eerdmans,
1977), 220.
35 Adams, 135.
36 Ephraim Emerton, An Introduction to the Study
of the Middle Ages (375-814) (Boston: Ginn and
Company, 1916), 66.
37 William J. Courtenay, “Clovis I”, em The
McGraw-Hill Encyclopedia of World Biography
(New York: McGraw-Hill, 1973), 3:56 (grifos
acrescentados)
38 Gwatkin e Whitney, 112 (grifos acrescentados).
39 Ibid., 113 (grifo acrescentado).
40 Thomas R. Buchanan, “Clovis”, em William
Smith e Henry Wace, eds., A Dictionary of Christian
Biography, Literature, Sects and Doctrines (Boston:
Little, Brown, and Company, 1877), 1:582: “Que o
elemento religioso foi muito poderoso nessa guerra
(Rückert, i. 324) é evidente da carta de Clóvis aos
bispos (Bouquet, l.c.), das tentativas inúteis de
Alarico para confirmar a lealdade dos seus súditos
católicos e romanos (Richter, p. 39, nota 2), e do que
Cassiodoro (Var. iii. Ep. 1-4) nos diz das negociações
anteriores à guerra.”
41 Perry, 85 (grifos acrescentados).
42 Auguste Dumas, “Clovis I”, em Alfred Baudrillart, A. De Meyer e Et. Van Cauwenbergh, eds.,
Dictionnaire D’Histoire et de Géographie Ecclésiastiques (Paris: Librairie Letouzey et Ané, 1956),
13:30. Ver também Gwatkin e Whithey, 115; Smith
e Wace, 1:582-583. Cf. Jean Hubert, “Clovis”, em
Encyclopaedia Britannica (Chicago: Encyclopaedia
Britannica, 1971), 5:952: “Essa história [da visita de
Clóvis a Tours em 508], uma vez questionada por
alguns historiadores, tem sido corroborada, até certo
ponto, por investigações posteriores.”
43 Adams, 137.
44Victor Duruy, The History of the Middle Ages
(Nova York: Holt and Company, 1904), 29. Cf.
Strayer, ed., Dictionary of the Middle Ages, 2:94:
“Em 508 ele [Clóvis] conseguiu eliminar todos os
reis francos rivais, muitos dos quais eram parentes
próximos.”
45 Cairns, 104.
46 Duruy, 32 (grifos acrescentados).
47 Adams, 142 (grifos acrescentados).
48 Ibid., 141.
49 Cairns, 127.
50 Charles J. Hefele, A History of the Councils of
the Church, from the Original Documents (Edinburgh: T. & T. Clark, 1895), 4:59-62, 71, 74.
51 John L. Mosheim, An Ecclesiastical History,
Ancient and Modern, from the Birth of Christ, to
the Beginning of the Eighteenth Century (Londres:
Impresso para R. Baynes, 1819), 2:113.
52 M. Gosselin, The Power of the Pope During the
Middle Ages; or, An Historical Inquiry into the Origin of the Temporal Power of the Holy See, and the
Constitutional Laws of the Middle Ages Relating to
the Deposition of Sovereigns (Baltimore: J. Murphy
& Co., 1835), 1:186 (grifos acrescentados).
53 Daniel D. McGarry, Medieval History and
Civilization (Nova York: Macmillan, 1976), 119
(grifos acrescentados).
54 Shepard B. Clough, ed., A History of the Western World: Ancient Times to 1715 (Lexington, MA:
D. C. Heath, 1969), 200.
55 James Bryce, “Justinianus I”, em Smith e
Wace, 3:545 (grifos acrescentados).
56 Ver ibid., 545-551.
57 Collins, 156.
58 Ibid., 156-157.
59 Ibid., 156.
60 Ver Smith e Wace, 551-559.
61 Ver LeRoy E. Froom, The Prophetic Faith of
Our Fathers (Washington, DC: Review and Herald,
1950), 1:501-517.
62 Smith e Wace, 554. De acordo com ibid.,
553, a primeira edição do Codex foi formalmente
promulgado em abril de 529.
63 Cf. Maxwell, 82-83; Richard F. Littledale,
The Petrine Claims (London: Society for Promoting
Christian Knowledge, 1889), 291-293.
64 The Code of Justinian, 2ª ed., livro 1, título 1.
Republicado em S. P. Scott, The Civil Law (Cincinnati: Central Trust Company, s.d.), 12:11-12 (grifos
acrescentados).
65 Ibid., 12:10-11 (grifos acrescentados). Lamentavelmente, não foi possível ao autor do presente
artigo descobrir a data dessa carta.
66 Richard F. Littledale, The Petrine Claims (Londres: Society for Promoting Christian Knowledge,
1889), 291 (grifos acrescentados).
67 Mosheim, 2:109.
68 Collins, 157.
69 A History of the Western World, 199.
70 Collins, 158.
71 Thomas Hodgkin, Italy and Her Invaders
(Oxford: Clarendon Press, 1896), 3:212, 620-626.
72 Ibid., 4:250. Cf. Sir Edmund Barrow, The
Growth of Europe Through the Dark Ages: A.D.
401-1100 (Londres: H. F. & G. Witherby, 1927),
71-72: “O cerco durou todo um ano, de fevereiro ou
março de 537 a março de 538. ... Os godos tentaram
negociar, mas sem sucesso, e em março de 538
Vitiges suspendeu o cerco e se retirou na direção
do norte.”
73 Herwig Wolfram, History of the Goths, trad.
Thomas J. Dunlap, ed. rev. (Berkely, CA: University
of California Press, 1988), 346.
74 Seventh-day Adventist Bible Commentary,
4:826-827.
75 Froom, 1:515; Hodgkin, Italy and Her Invaders, 251-252.
76 Ver Hefele, 204-209.
77 Ibid., 205 (grifos acrescentados).
78 Ibid., 207.
79 Ibid., 208-209 (grifos acrescentados).
80 Archibald Bower, The History of the Popes,
from the Foundation of the See of Rome, to the Present Time (Londres: Impresso para o autor, 1750),
2:375-376 (primeiro grifo acrescentado).
81 De acordo com A. Bower, Virgílio chegou “em
Constantinopla no dia 25 de janeiro de 547” (ibid.,
384), e embarcou em seu retorno a Roma, levando
consigo um “Constituição datada de 13 de agosto[de 554]” (ibid., 415-416).
82 Collins, 156, 158.
83Charles Bémont e G. Monod, Medieval Europe
from 395 to 1270 (Nova York: Henry Holt, 1902),
120-121.
84 Nathaniel Platt e Muriel J. Drummond, Our
World Through the Ages (Nova York: Prentice-Hall,
1954), 141. Estes dois historiadores datam a Idade
Média de ca. 500 a ca. 1500, de acordo com ibid.,
134.
85 Mosheim, 2:113.
86 Scott, 12:12.
87 Seventh-day Adventist Bible Commentary,
4:827.
88 Ibid., 836.
89 Mosheim, 2:113.
90 Scott, 12:12.